Investidores estrangeiros retiram R$ 8 bilhões da Bolsa em maio com incertezas sobre guerra e inflação
Investidores estrangeiros retiram R$ 8 bilhões da Bolsa em maio com incertezas sobre guerra e inflaç

O fluxo de investidores estrangeiros, que impulsionou a Bolsa ao patamar inédito de 198.657 pontos em abril e levou o dólar a R$ 4,892, tem se revertido em maio. Segundo dados da B3, o saldo dos investidores internacionais segue positivo em 2026, em R$ 53,9 bilhões, mas em maio o movimento é de reversão: o saldo entre compras e vendas de ações está negativo em R$ 8 bilhões.

A mudança pode ser observada já em abril, com a queda do saldo positivo do mês de R$ 15,7 bilhões no dia 15 para R$ 3,2 bilhões no dia 30. Em maio, o movimento se intensificou e todos os pregões foram de saída líquida, com retirada de R$ 609 milhões por dia, em média. Em 13 de maio, quando o contato entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, do Banco Master, foi revelado, a saída líquida foi de R$ 1,2 bilhão.

Especialistas apontam que o cenário se inverteu com a mudança nas expectativas para juros no Brasil e nos Estados Unidos, com a continuidade da pressão da guerra do Irã sobre os preços. Economistas aumentaram a previsão para o IPCA deste ano, de 4,80% para 4,92%, segundo o Boletim Focus. A Selic deve encerrar 2026 em 13,25% ao ano, ante expectativa anterior de 12%.

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Nos Estados Unidos, a probabilidade de o Fed subir os juros 0,25 ponto percentual no segundo semestre, terminando o ano em 4%, foi de zero a 40% em um mês. Com o petróleo próximo de US$ 110 e o temor de um repique inflacionário global, bancos centrais se tornaram mais cautelosos, o que beneficia a renda fixa em detrimento de ativos arriscados.

O banco JPMorgan sinaliza que houve uma forte rotação para ações de tecnologia, o que explica o desempenho da Nasdaq, que acumula alta de 3% em maio. No mês até aqui, a Bolsa brasileira registra queda de 7%, enquanto o dólar sobe 1,8%.

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