O mercado financeiro brasileiro inicia a semana dividido entre o alívio com dados de inflação e a tensão geopolítica no Oriente Médio. O Ibovespa mira os 181 mil pontos, enquanto o dólar testa resistência em meio à alta do petróleo e ao temor de novos bloqueios no Estreito de Ormuz.
Inflação sob controle dá fôlego à bolsa
Dados recentes de inflação no Brasil e nos Estados Unidos indicam arrefecimento dos preços, o que alimenta expectativas de cortes de juros. O IPCA-15 de julho veio abaixo do esperado, e o CPI americano também surpreendeu para baixo. Isso favorece ativos de risco, como ações, e pressiona o dólar para baixo.
Segundo o Bradesco BBI, a temporada de balanços do segundo trimestre pode reforçar a aposta na Bolsa brasileira, considerada barata em relação a pares emergentes. O banco mantém recomendação positiva para o Ibovespa.
Tensão no Oriente Médio eleva prêmio de risco
Do lado oposto, a escalada da tensão no Estreito de Ormuz gera incertezas. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a retomada do bloqueio ao Irã e a cobrança de 20% sobre cargas que transitem pelo estreito. O Irã rejeitou o controle americano e ameaçou retaliação militar.
O petróleo subiu mais de 3% na abertura da semana, com o Brent acima de US$ 85 o barril. O Goldman Sachs avalia que a dependência global do Estreito de Ormuz pode diminuir gradualmente com a expansão de oleodutos, mas, no curto prazo, o risco de interrupção permanece elevado.
Impacto nos ativos brasileiros
A alta do petróleo beneficia ações da Petrobras, mas pressiona o câmbio e a inflação. O dólar opera perto de R$ 5,00, com a XP projetando a moeda nesse patamar para o fim do ano. O Ibovespa, por sua vez, enfrenta resistência técnica nos 181 mil pontos, mas analistas veem espaço para ganhos adicionais se o cenário externo se estabilizar.
No mercado de renda fixa, os títulos atrelados à inflação (IPCA+) perdem atratividade com a queda das expectativas. O Tesouro Nacional pode intervir se as taxas caírem demais, segundo especialistas. CDBs, LCIs e LCAs oferecem taxas entre 90% e 100% do CDI, dependendo do emissor.
Recomendações para o segundo semestre
A XP mantém otimismo com o PIB brasileiro e recomenda ajustar o portfólio para o segundo semestre com foco em renda fixa prefixada e ações de empresas domésticas. O Bradesco BBI sugere exposição a Suzano (SUZB3), que se beneficia de riscos climáticos do El Niño, e à Caixa Seguridade, que mantém forte impulso comprador.
No cenário internacional, o Nasdaq e o S&P 500 perdem força perto de resistências, pressionados por balanços e pela guerra comercial. As bolsas europeias fecharam perto da estabilidade, com atenção voltada ao Irã e ao petróleo.



