Ibovespa e dólar sob pressão: inflação alivia, mas tensão no Irã pesa
Ibovespa e dólar: inflação alivia, mas tensão no Irã pesa

O alívio com a desaceleração da inflação nos Estados Unidos contrasta com a escalada da tensão geopolítica no Estreito de Ormuz, criando um cenário de indefinição para o Ibovespa e o dólar. Enquanto os dados de preços ao consumidor americano reforçam expectativas de corte de juros pelo Federal Reserve, a ameaça de interrupção no fluxo de petróleo na região do Oriente Médio eleva o prêmio de risco e pressiona as moedas emergentes.

Inflação americana dá fôlego, mas Ormuz preocupa

O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA veio abaixo do esperado, alimentando apostas de que o Fed possa iniciar o ciclo de afrouxamento monetário já em setembro. Segundo dados da CME, o mercado reforçou as projeções de alta de juros na reunião de setembro, mas agora com viés de queda. Essa leitura beneficia ativos de risco globais, incluindo a bolsa brasileira, que busca romper a resistência dos 181 mil pontos.

No entanto, a tensão no Estreito de Ormuz segue como contraponto. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a retomada do bloqueio ao Irã e a cobrança de 20% sobre cargas que transitam pelo estreito. Em resposta, o Irã rejeitou o controle americano e ameaçou retaliação militar. O petróleo subiu, e o Bitcoin caiu com o temor renovado de inflação global.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Dólar forte e ações pressionadas

O dólar à vista testa resistência técnica, enquanto o mercado avalia se o movimento de alta recente se sustentará. A combinação de juros americanos ainda elevados e risco geopolítico tende a manter a moeda americana forte contra o real. Especialistas apontam que, em cenários de aversão ao risco, o dólar se valoriza, mas a melhora na inflação pode limitar ganhos.

Na bolsa, as ações da Vale (VALE3) seguem pressionadas, enquanto a Caixa Seguridade (CXSE3) mantém impulso comprador. O JPMorgan reiterou preferência por Suzano (SUZB3) em meio a riscos climáticos do El Niño. O Ibovespa ganha força no day trade, mas analistas alertam que a resistência dos 181 mil pontos é um teste importante.

Ouro e petróleo disparam

O ouro opera próximo de máximas históricas, impulsionado pela busca por proteção. O petróleo Brent já acumula alta de mais de 10% desde o início da crise, e a Agência Marítima da ONU reiterou que a passagem por Ormuz deve seguir isenta de taxas, mas o mercado não descarta interrupções. O Goldman Sachs vê fim gradual da dependência de Ormuz, com expansão de capacidade na região, mas no curto prazo o risco persiste.

Mercados europeus e americanos reagem

As bolsas da Europa fecharam perto da estabilidade, com foco no Irã e no avanço do petróleo. O Nasdaq e o S&P 500 perderam força perto de resistências, pressionados por balanços e pela guerra no Oriente Médio. O mercado de títulos americano também sente o impacto: os juros de longo prazo subiram, refletindo o prêmio de risco geopolítico.

Brasil: PIB e dólar a R$ 5,00?

Apesar das tensões externas, a XP Investimentos mantém otimismo com o PIB brasileiro e prevê dólar a R$ 5,00 ao final do ano. Em relatório, a corretora destaca que o crescimento econômico deve surpreender positivamente, mas alerta que a crise no Oriente Médio pode atrasar a queda da moeda americana. Para o investidor, a recomendação é diversificar entre renda fixa e variável, ajustando o portfólio para o segundo semestre.

Petrobras e o risco de intervenção

A Petrobras (PETR4) é uma das ações mais sensíveis ao cenário de Ormuz. A empresa é beneficiada pela alta do petróleo, mas também sofre com o risco de intervenção do governo nos preços dos combustíveis. O mercado monitora declarações do presidente e do ministro da Fazenda sobre possíveis medidas para conter a inflação, o que poderia limitar o ganho da estatal.

Perspectivas para a semana

O calendário econômico inclui a divulgação de dados de emprego e atividade no Brasil, além de falas de dirigentes do Fed. O Ibovespa tenta manter o ritmo de alta, mas qualquer escalada no conflito Irã-EUA pode reverter o movimento. O dólar, por sua vez, deve seguir volátil, com suporte em R$ 5,00 e resistência em R$ 5,20. O mercado de renda fixa oferece boas oportunidades, com CDBs, LCIs e LCAs ainda atrativos, mas o Tesouro Direto pode intervir se o IPCA+ subir demais.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar