Ibovespa dispara 2% e volta aos 176 mil pontos com Vale e WEG; dólar cai
Ibovespa dispara 2% com Vale e WEG; dólar cai

O Ibovespa fechou em forte alta nesta quarta-feira (22), subindo mais de 2% e retornando ao patamar dos 176 mil pontos. O movimento foi puxado principalmente por Vale (VALE3) e WEG (WEGE3), que registraram ganhos expressivos após divulgação de dados operacionais do segundo trimestre. O dólar, por sua vez, recuou ante o real, acompanhando o alívio nos mercados internacionais e a percepção de que o novo tarifaço dos EUA pode ter impacto menor que o temido.

Vale tem melhor 2º trimestre para minério desde 2018

A Vale (VALE3) disparou mais de 3% após reportar o melhor segundo trimestre para produção de minério de ferro desde 2018. A mineradora produziu 90,6 milhões de toneladas no período, superando as expectativas do mercado. O resultado foi impulsionado pela retomada de operações em minas e pela demanda chinesa aquecida. No entanto, analistas alertam para a preocupação com a sustentabilidade desse ritmo, diante de possíveis restrições ambientais e de licenciamento.

“Os números são muito positivos, mas o mercado já começa a questionar se a Vale conseguirá manter esse nível de produção no segundo semestre”, afirmou um analista do Itaú BBA. Ainda assim, a ação foi destaque de alta no pregão.

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WEG (WEGE3) dispara com dados do 2T; temor se dissipa

A WEG (WEGE3) também teve forte alta, superando 4% e renovando máximas históricas. A empresa divulgou resultados do segundo trimestre que agradaram investidores, com crescimento de receita e margens acima do esperado. O mercado, que antes temia uma desaceleração no setor industrial, parece ter se convencido de que a WEG segue com demanda robusta, especialmente no segmento de equipamentos elétricos e motores.

“O temor do mercado foi embora? Parece que sim, pelo menos por enquanto”, comentou um operador da XP. A ação acumula ganhos expressivos no ano e é uma das preferidas dos analistas para o segundo semestre.

Dólar cai com tarifaço e dados dos EUA

O dólar comercial fechou em queda de mais de 1%, cotado a R$ 5,20, em um dia marcado pelo início da vigência do novo tarifaço dos Estados Unidos, que impõe tarifas de até 200% sobre medicamentos genéricos importados. Apesar da medida protecionista, o mercado interpretou que o impacto para o Brasil pode ser limitado, e o real se valorizou frente à moeda americana.

Além disso, dados econômicos dos EUA vieram abaixo do esperado, reforçando a aposta em cortes de juros pelo Federal Reserve ainda neste ano. Esse cenário favorece ativos de risco emergentes, como a Bolsa brasileira e o real.

Ibovespa: volume de julho pode ser o menor desde a pandemia

Apesar do forte pregão, o volume financeiro negociado na B3 segue baixo. Segundo analistas, julho pode registrar um dos menores volumes desde a pandemia de Covid-19, o que sinaliza cautela por parte dos investidores institucionais. A falta de liquidez pode amplificar movimentos de curto prazo, mas também indica que o mercado ainda não está plenamente confiante em uma recuperação sustentável.

O Itaú BBA projeta o Ibovespa em 185 mil pontos até o fim do ano, destacando quatro teses principais para ações: Vale, WEG, Petrobras e bancos. A recomendação é de que investidores aproveitem as quedas para comprar ativos de qualidade.

Refino da Petrobras ganha força como motor extra

A Petrobras também subiu no pregão, impulsionada por notícias de que o setor de refino pode se tornar um motor extra de lucros para a estatal. Com a capacidade de processamento de petróleo em alta e margens de refino favoráveis, a empresa pode reduzir sua dependência da exportação de óleo bruto. O mercado avalia que a Petrobras está mais preparada para capturar valor em toda a cadeia.

No conselho da Vale, os acionistas elegeram Ollie como novo presidente, em substituição a José Luciano Duarte Penido. A mudança é vista como positiva por investidores, que esperam maior foco em governança e retorno ao acionista.

Perspectivas para os próximos dias

O mercado segue atento aos desdobramentos da guerra comercial entre EUA e China, que pode afetar as exportações brasileiras de commodities. Além disso, a reforma tributária no Brasil pode ser suspensa, segundo especialistas, o que geraria incertezas fiscais. Por ora, o Ibovespa aproveita o bom humor externo e os resultados corporativos para buscar novos recordes.

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“O cenário é positivo no curto prazo, mas não podemos descartar correções. O investidor deve manter a disciplina e focar em ativos com fundamentos sólidos”, recomenda o Itaú BBA.