Leilão da Régis Bittencourt atrai três grupos; investimentos somam R$ 7,2 bi
Leilão da Régis Bittencourt atrai três grupos; R$ 7,2 bi

Três grupos apresentaram propostas para a nova concessão da Rodovia Régis Bittencourt, trecho de mais de 400 km da BR-116 entre São Paulo e Curitiba, conforme informações da Agência Infra. O leilão ocorre nesta quinta-feira (23) na B3. Os concorrentes são a Motiva (MOTV3), a EPR (joint venture entre Equipav e Perfin) e a Arteris, atual concessionária da rodovia.

Investimentos e potencial de retorno

O projeto, uma das principais apostas do programa de concessões do governo federal, prevê cerca de R$ 7,2 bilhões em investimentos para ampliação de capacidade e melhorias operacionais ao longo do contrato. Na avaliação do Bradesco BBI, a concessão reúne características atrativas, apesar da complexidade da otimização contratual de um ativo já concedido. O banco estima que os retornos possam ficar entre a faixa média de dois dígitos e o início dos 20%, em termos de taxa interna de retorno real alavancada.

Fatores de atratividade e desafios

Segundo analistas do BBI, o potencial decorre de uma combinação de fatores: desconto tarifário superior a 17% (em linha com o leilão da Fernão Dias), tráfego atual acima das premissas governamentais, ganhos de eficiência operacional e de investimentos, e possibilidade de financiar aproximadamente 60% da necessidade de caixa dos primeiros cinco anos com alavancagem. A rodovia tem relevância estratégica para a logística nacional, receitas previsíveis indexadas à inflação e mecanismos de mitigação de risco de tráfego, além de cláusulas de compartilhamento de riscos de demanda, custos de insumos, licenciamento ambiental e desapropriações.

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Por outro lado, o banco destaca desafios: menor visibilidade sobre ativos e passivos acumulados na concessão atual, cobrança intensa por investimentos nos primeiros anos de transição e prazo contratual mais curto que projetos greenfield tradicionais.

Impacto para a Motiva

Em relatório, o Bank of America (BofA) afirmou que a participação da Motiva era esperada, já que a administração havia sinalizado interesse. O impacto potencial para a Motiva é inicialmente neutro, pois a criação de valor depende dos termos da proposta vencedora. Usando premissas-base do governo e custo de capital próprio real de 9,2%, o BofA estima que o projeto gere cerca de R$ 200 milhões em valor presente líquido (VPL), equivalente a aproximadamente R$ 0,10 por ação. O efeito na alavancagem seria limitado, com impacto de cerca de 0,1 vez na relação dívida líquida/Ebitda entre 2028 e 2034.

Apesar da cautela de curto prazo, o BofA mantém recomendação de compra para a Motiva, argumentando que a companhia negocia a múltiplos atrativos. Eventuais ganhos adicionais dependeriam da capacidade do operador vencedor de capturar eficiências operacionais e de investimento acima das premissas do governo.

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