Ibovespa cai com tecnologia; Copom vê custo alto para inflação
Ibovespa cai com tecnologia; Copom vê custo alto

O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira, acompanhando o movimento global de liquidação de ações de tecnologia. O índice reflete a aversão a risco após a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) indicar que o custo para levar a inflação à meta já em 2027 é elevado. Paralelamente, o Tesouro IPCA+ voltou a ultrapassar 8,5% ao ano, impulsionado pelo cenário de incerteza.

Ata do Copom e impacto nos mercados

O Banco Central divulgou a ata da última reunião do Copom, na qual manteve a Selic em 14,25% ao ano. O documento destaca que o custo para trazer a inflação para a meta de 3% em 2027 é significativo, exigindo perseverança na política monetária. A comunicação foi considerada hawkish pelos analistas, elevando as projeções para a taxa de juros no curto prazo.

Segundo o economista-chefe de uma corretora, 'a ata reforça que o BC não vê espaço para flexibilização, mesmo com a atividade econômica desacelerando'. O mercado reagiu com queda nos ativos de risco, especialmente em setores mais sensíveis a juros, como tecnologia e consumo.

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Liquidação global de tecnologia

As bolsas mundiais também sofrem com a venda maciça de ações de tecnologia. O Nasdaq cai mais de 2% na abertura, puxado por preocupações com os gastos em inteligência artificial e a sinalização do Federal Reserve de que os juros podem permanecer altos por mais tempo. Empresas como Nvidia, Apple e Microsoft registram perdas expressivas.

No Brasil, os papéis de tecnologia acompanham o movimento. As ações da Magazine Luiza (MGLU3) e Lojas Renner (LREN3) recuam mais de 3% no início dos negócios. O movimento é visto como um ajuste após o rali recente do setor.

Tesouro IPCA+ acima de 8,5%

O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045 passou a render 8,55% ao ano, maior nível desde o início do ano. A alta reflete o aumento da aversão ao risco e a expectativa de juros elevados por mais tempo. Segundo a XP, 'a curva de juros precifica uma Selic terminal mais alta, o que pressiona os títulos indexados à inflação'.

Investidores migram para a renda fixa atrelada à inflação como proteção contra a incerteza fiscal e monetária. O movimento é reforçado pela recente piora nas expectativas de inflação para 2026 e 2027.

Impacto nos investimentos

A alta do Tesouro IPCA+ torna os títulos públicos mais atrativos, mas também sinaliza maior percepção de risco. Para o investidor, a recomendação é diversificar entre renda fixa e variável, aproveitando as taxas elevadas nos títulos públicos.

No mercado de ações, a queda generalizada abre oportunidades de compra em setores defensivos, como elétricas e saneamento, que se beneficiam da inflação elevada. A Petrobras (PETR4) e a Vale (VALE3) também são monitoradas de perto, com seus dividendos sendo comparados aos rendimentos da renda fixa.

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