O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira, pressionado pelo cenário externo de aversão a risco. O Tesouro IPCA+ voltou a ultrapassar a marca de 8,5% ao ano, refletindo as incertezas fiscais e a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que indicou custo elevado para levar a inflação à meta já em 2027.
Ata do Copom e impactos no mercado
Na ata da última reunião, o Banco Central destacou que o custo para convergir a inflação à meta em 2027 é alto, o que gerou apreensão entre investidores. A autoridade monetária manteve a Selic em 13,75% ao ano, mas sinalizou que pode elevar os juros se necessário. Segundo analistas, o documento reforça a postura hawkish do BC, o que pressiona os ativos de renda fixa e a bolsa.
Tesouro IPCA+ e aversão a risco
O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045 atingiu taxa real de 8,51% ao ano, maior nível desde o início do ano. A alta reflete a fuga de investidores estrangeiros e a preocupação com o cenário fiscal. “O mercado está precificando um risco maior de calote ou de descontrole fiscal”, afirma Luiz Felipe Bazzo, analista da Clear Corretora.
Mercados globais e tecnologia em queda
As bolsas mundiais também operam no vermelho, com destaque para o tombo das ações de tecnologia nos Estados Unidos. O Nasdaq cai mais de 2% com temores de que o Federal Reserve mantenha juros altos por mais tempo e com a desaceleração dos gastos em inteligência artificial. Na Europa, o índice Stoxx 600 recua 1,5%, enquanto na Ásia o Nikkei caiu 2,8%.
Dólar e juros futuros
O dólar comercial subiu 0,8%, cotado a R$ 5,12, acompanhando o movimento global de fortalecimento da moeda americana. Os juros futuros também avançam, com o DI para janeiro de 2027 subindo para 13,42% ao ano. A curva de juros incorpora maior prêmio de risco.
Empresas em destaque
Entre as ações, a MRV&Co vendeu empreendimentos nos EUA por US$ 139 milhões, mas suas ações caem 1,5%. A Azevedo & Travassos aprovou grupamento de ações na proporção de 20 para 1, e os papéis sobem 3,2%. Já a Espaçolaser anunciou oferta secundária do Fundo Magnólia, que pode zerar participação, levando a ação a cair 4,1%.
Recomendações e análises
A XP iniciou cobertura da Compass com recomendação de compra e potencial de alta de 50%. Segundo o relatório, a empresa se beneficia do crescimento do mercado de gás natural. Já a Fortune destacou que um dos El Niños mais fortes custou US$ 5,7 trilhões ao mundo, e 2026 pode ser pior, impactando commodities e inflação.



