O Ibovespa intensificou as perdas nesta segunda-feira (13), caindo mais de 2%, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a retomada do bloqueio naval ao Irã, elevando as tensões no Estreito de Ormuz. O petróleo Brent disparou mais de 4%, ultrapassando US$ 85 o barril, enquanto o dólar comercial subiu a R$ 5,00, pressionando ainda mais o mercado acionário brasileiro.
Contexto geopolítico e impacto imediato
Trump declarou que os EUA cobrarão uma taxa de 20% sobre cargas que transitarem pelo Estreito de Ormuz, sob a justificativa de conter a influência iraniana na região. O Irã rejeitou a medida e ameaçou retaliação militar, aumentando o risco de um conflito direto. O tráfego no estreito caiu ao nível mais baixo em dois meses, segundo dados de monitoramento marítimo.
O mercado de ações brasileiro, que já operava em baixa, acelerou as perdas com o anúncio. “A retomada do bloqueio naval é um choque geopolítico que eleva a aversão ao risco global e prejudica ativos emergentes como o Brasil”, afirmou em nota o estrategista-chefe de um grande banco de investimentos.
Petróleo e taxas de juros disparam
O petróleo Brent saltou 4,3%, cotado a US$ 85,70, refletindo o temor de interrupção no fornecimento. As taxas dos títulos do Tesouro brasileiro (NTN-B) também subiram, acompanhando a alta do petróleo e a projeção de inflação para 2027, que avançou para 4,2%.
“A alta do petróleo pressiona a inflação e reduz o espaço para cortes na Selic, o que impacta negativamente a bolsa”, explicou um analista de renda fixa. O mercado agora precifica uma taxa Selic terminal mais alta, o que reduz o apetite por ações.
Setores mais afetados e oportunidades
As ações da Petrobras (PETR4) recuaram 1,5%, apesar da alta do petróleo, devido ao risco de interferência política nos preços dos combustíveis. Já as empresas aéreas (AZUL, GOLL) caíram mais de 4% com o dólar forte. Por outro lado, a Vibra Energia e a Ultrapar subiram, com bancos elevando suas recomendações após margens acima do esperado.
O Bradesco BBI apontou que a temporada de resultados do segundo trimestre pode reforçar a aposta em bolsa brasileira barata, mas alertou para riscos externos. “A crise no Oriente Médio pode atrasar a recuperação do Ibovespa”, disse o relatório.
Perspectivas para o dólar e a bolsa
A XP Investimentos manteve sua projeção de dólar a R$ 5,00 para o curto prazo, citando o cenário externo adverso. O Ibovespa opera na faixa dos 181 mil pontos, mas analistas veem resistência técnica. “O mercado precisa de um catalisador positivo para romper esse nível”, comentou um operador.
Enquanto isso, a guerra comercial entre EUA e China e a desaceleração global continuam pesando. O índice Kospi, da Coreia do Sul, tombou 9% com a queda de semicondutores, reflexo do temor de recessão.



