O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de maio registrou alta de 0,1% na comparação mensal, resultado ligeiramente acima das expectativas dos economistas, mas que reforça a percepção de perda gradual de força da economia brasileira. O indicador, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), acompanhou os dados setoriais do IBGE, que mostraram maior perda de dinamismo em serviços e comércio varejista, além da contribuição negativa esperada do agronegócio devido à sazonalidade.
Revisões nos dados anteriores e efeito estatístico
A XP Investimentos destacou em sua análise as revisões feitas pelo BC nos meses anteriores. O IBC-Br de abril, por exemplo, foi revisado para cima: o crescimento anual passou de 0,9% para 1,1% na série atualizada. O efeito estatístico de carregamento para o segundo trimestre ficou em 0,5% na margem.
Desempenho setorial misto em maio
A abertura setorial mostrou sinais mistos. Pelo lado positivo, a indústria manteve trajetória sólida de recuperação, com alta de 0,4% na comparação mensal. Já os setores de serviços e impostos registraram ganhos tímidos, ambos com +0,1%. Por outro lado, a agropecuária recuou 1,0% no mês, compensando parcialmente o melhor desempenho observado nos demais setores.
Projeções para o PIB em 2026
A XP manteve sua projeção de crescimento do PIB em 2,0% para 2026, com riscos inclinados para cima. Os motivos incluem a renda real ainda crescendo em ritmo sólido, sustentada por um mercado de trabalho apertado e pelo aumento das transferências fiscais. "Além disso, um conjunto amplo de medidas de estímulo do governo continuará dando suporte à demanda doméstica no curto prazo. Na nossa visão, esses fatores devem compensar o efeito negativo das condições monetárias restritivas e da maior incerteza ao longo dos próximos trimestres", afirmou a XP.
Análise do PicPay: exclusão do agro revela avanço de 0,2%
Matheus Pizzani, economista do PicPay, reforçou que, excluindo o setor agropecuário, o IBC-Br registrou avanço de 0,2% na comparação mensal. Ele destacou que o desempenho negativo do setor primário é condizente com seu comportamento sazonal, que tende a perder força no segundo trimestre. "No que diz respeito aos demais setores, o comportamento foi relativamente semelhante ao observado nas pesquisas setoriais divulgadas pelo IBGE, com a indústria registrando alta de 0,4% e o setor de serviços com variação positiva de 0,1%", comparou.
Pizzani detalhou que a indústria segue colhendo benefícios do ambiente externo mais positivo para setores do segmento extrativo, enquanto segmentos mais alinhados ao ciclo econômico doméstico seguem com resultados majoritariamente lateralizados ou em queda, reflexo do impacto da inflação e da taxa de juros. Sobre o setor de serviços, ele destacou que o varejo foi o principal responsável por evitar um desempenho melhor, uma vez que a inflação se mostrou um impasse expressivo. "A ausência de elementos sazonais benignos fez com que as demais categorias de serviços, cuja demanda depende das condições macroeconômicas e da confiança, não apresentassem avanço significativo", afirmou.
Perspectivas para o segundo trimestre e riscos
Pizzani disse que o crescimento acelerado no início do ano, puxado pelo excelente desempenho da agropecuária e pelo consumo das famílias, deveu-se em grande medida a fatores sazonais e estímulos pontuais. O cenário observado no segundo trimestre deve ditar a tônica do ritmo de expansão nos próximos períodos, com ganho de tração apenas gradual após o crescimento mais tímido entre abril e junho, estimado em 0,4%. "Fatores exógenos, como choques de oferta por instabilidade geopolítica global ou condições climáticas adversas, bem como a implementação de medidas fiscais de dinamização da demanda, seguem como riscos de cauda com probabilidade incerta", ponderou. O PicPay mantém a perspectiva de crescimento do PIB em 1,70% para 2026.
Visão do ASA: desaceleração gradual
Para Leonardo Costa, economista do ASA, os dados de atividade até maio seguem compatíveis com um cenário de desaceleração gradual do crescimento ao longo de 2026. "O avanço de apenas 0,1% do IBC-Br no mês, somado aos resultados mais moderados no comércio e nos serviços, reforça a percepção de perda de fôlego da economia após o desempenho mais forte no início do ano. Projetamos PIB de +0,5% no segundo trimestre de 2026", concluiu.



