Um ex-diretor do Banco Central emitiu um alerta sobre os riscos das NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional série B) em cenário de inflação baixa. Segundo o especialista, a desaceleração dos preços deve corroer os ganhos reais desses títulos, que são indexados ao IPCA.
Impacto da inflação baixa sobre as NTN-Bs
As NTN-Bs são papéis que pagam uma taxa prefixada mais a variação do IPCA. Com a inflação projetada em torno de 3% ao ano, o retorno real desses títulos fica comprometido, especialmente se comparado a alternativas como títulos prefixados ou fundos imobiliários. O ex-BC destacou que, em 2023, a inflação acumulada em 12 meses ficou abaixo de 4%, reduzindo a atratividade da indexação.
Dados do Tesouro Direto mostram que a NTN-B com vencimento em 2035 tem taxa real de 5,5% ao ano, mas, com inflação baixa, o ganho nominal fica perto de 8,5% – patamar inferior ao de CDBs pós-fixados, que rendem mais de 100% do CDI. O especialista afirmou: “Quem comprou NTN-B esperando inflação alta pode se frustrar com a realidade de juros reais menores.”
Recomendações para investidores
Diante do cenário, a orientação é diversificar a carteira de renda fixa. O ex-BC sugeriu que investidores considerem títulos indexados à Selic (LFT) ou debêntures incentivadas, que oferecem isenção de IR e podem ter retorno superior. Além disso, ele ressaltou que a NTN-B ainda é útil para proteção contra inflação em horizontes longos, mas o momento atual exige cautela.
“Não é hora de concentrar tudo em NTN-B. O mercado de juros está volátil, e a inflação deve continuar baixa nos próximos meses”, completou. A declaração vem em meio a expectativas de que o Copom mantenha a Selic em 10,5% ao ano, pressionando ainda mais os títulos atrelados ao IPCA.
Contexto econômico atual
O alerta ocorre em um momento de incertezas: o Fed dos EUA pode cortar juros, o que afeta o câmbio e a inflação brasileira. O dólar está estável, mas a volatilidade do petróleo preocupa. O Ibovespa opera em alta, impulsionado por balanços corporativos. Para o investidor de renda fixa, o cenário exige análise criteriosa.
Em resumo, as NTN-Bs perdem atratividade com inflação baixa. O ex-BC recomenda revisão da alocação em títulos indexados, priorizando liquidez e diversificação.



