Investidores estrangeiros trouxeram R$ 33,8 bilhões para a B3 no primeiro semestre de 2025, mas junho registrou saída líquida de R$ 7,8 bilhões, segundo dados divulgados pela bolsa brasileira. O fluxo acumulado positivo reflete o apetite por ativos brasileiros, embora o último mês do período tenha mostrado reversão.
Fluxo estrangeiro na B3: saldo semestral positivo
No acumulado de janeiro a junho, o saldo de capital estrangeiro na B3 foi positivo em R$ 33,8 bilhões. O resultado foi impulsionado por entradas robustas nos primeiros meses do ano, com destaque para janeiro (R$ 12,1 bilhões) e fevereiro (R$ 9,5 bilhões).
Contudo, em junho, a saída líquida de R$ 7,8 bilhões interrompeu a sequência de ingressos. Especialistas atribuem o movimento a incertezas fiscais e ao cenário externo, com a alta dos juros americanos.
Comparativo mensal e perspectivas
O fluxo de junho contrasta com o saldo de maio, que foi positivo em R$ 2,3 bilhões. No mesmo período de 2024, o primeiro semembro havia registrado entrada de R$ 28,5 bilhões, indicando aumento de 18,6% no fluxo acumulado.
"A saída de junho não anula a tendência de médio prazo, mas acende alerta para a volatilidade", afirmou economista-chefe de uma corretora. "O mercado acompanha de perto a tramitação de reformas e o comportamento do câmbio."
Impacto no mercado de ações
O fluxo estrangeiro é crucial para a liquidez da B3. Em junho, o Ibovespa caiu 3,2%, influenciado pela aversão a risco. A saída de capital estrangeiro contribuiu para a pressão vendedora, especialmente em ações de grande liquidez como Petrobras e Vale.
Para o segundo semestre, analistas projetam entrada adicional de R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões, dependendo do cenário político e da trajetória da Selic.



