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Era das ilusões financeiras no Brasil

A era das ilusões financeiras no Brasil se consolida com a combinação de inflação persistente e taxas de juros elevadas, que distorcem a percepção de valor e riqueza. Segundo dados do IBGE, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 5,2% em fevereiro, enquanto a Selic permanece em 14,25% ao ano. Esse cenário cria um ambiente em que ativos financeiros parecem render mais, mas o poder de compra real é corroído.

O que são ilusões financeiras?

O conceito de ilusão financeira refere-se à tendência de investidores e consumidores de ignorar os efeitos da inflação sobre os retornos nominais. "Muitas pessoas olham para a rentabilidade de 10% ao ano de um título e acham que estão ganhando dinheiro, mas descontando a inflação, o ganho real é bem menor", explica a economista Marina Oliveira, da FGV. A ilusão monetária é um viés comportamental clássico, mas no Brasil atual ele é amplificado pela alta volatilidade e pela indexação generalizada da economia.

Impacto nos investimentos e na poupança

No mercado de ações, a ilusão se manifesta na valorização nominal de muitos papéis, que esconde a desvalorização real. O Ibovespa acumulava alta de 8% no ano até março, mas, com a inflação, o ganho real é de apenas 2,7%. Enquanto isso, a poupança, que rende 0,5% ao mês mais TR, tem rentabilidade real negativa quando a inflação supera 6% ao ano. "O brasileiro está perdendo poder de compra mesmo quando vê o saldo da conta crescer", alerta Oliveira.

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Ilusão fiscal e gastos do governo

Outra frente é a ilusão fiscal: o governo anuncia recordes de arrecadação e superávit primário, mas a dívida pública continua a crescer. Em 2024, a arrecadação federal atingiu R$ 2,3 trilhões, um aumento nominal de 11% sobre o ano anterior. No entanto, a dívida bruta subiu para 78% do PIB. "O discurso de responsabilidade fiscal esconde que o custo da dívida consome cada vez mais recursos, e a população sente isso na forma de serviços públicos piores", diz o analista político Carlos Mendes.

A era das ilusões financeiras exige que investidores e cidadãos olhem além dos números nominais e busquem entender a realidade econômica por trás das aparências.

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