Economia positiva e disputas políticas favorecem Lula, mas educação segue esquecida
Economia positiva e disputas favorecem Lula, mas educação é esquecida

A conjuntura política e econômica do Brasil, no primeiro semestre de 2026, apresenta sinais mistos. De um lado, trapalhadas de Flávio Bolsonaro e brigas internas da direita favorecem, por enquanto, a busca de mais uma eleição pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A bagunça internacional, com destaque para as políticas do presidente americano Donald Trump, pode atrapalhar, mas a Petrobras tem conseguido manter as vendas externas, enquanto outros exportadores tentam compensar as dificuldades criadas nos Estados Unidos. Amizades problemáticas e suspeitas de corrupção, tema persistente no dia a dia da política brasileira, podem afetar a imagem do governo, mas sem danos importantes até agora.

Balança comercial e PIB em alta

A economia nacional permaneceu razoavelmente positiva no primeiro semestre. Até a primeira semana de julho, a balança comercial acumulou superávit de US$ 44,63 bilhões, 39,2% maior do que o alcançado em 2025 no mesmo período. O resultado foi obtido com exportações de US$ 190,66 bilhões, 11,8% superiores às de um ano antes, e importações de US$ 146,03 bilhões, com aumento anual de 5,4%.

Enquanto o comércio externo se expande, a atividade econômica mostra algum dinamismo, apesar dos juros muito altos e, portanto, do alto custo do capital. No primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1% em relação aos três meses finais de 2025, foi 1,8% maior do que o de um ano antes e acumulou expansão de 2% em 12 meses.

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Projeções otimistas para o crescimento

Para este ano, a mediana das projeções do mercado aponta expansão próxima de 2%, segundo tem mostrado semanalmente o boletim Focus. O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou de 1,9% para 2,4% o crescimento estimado para 2026 e de 2% para 2,2% o avanço esperado para 2027. O crescimento brasileiro continuará, pelo menos por alguns anos, menor do que o de vários outros emergentes, mas o resultado positivo deverá persistir.

Se os fatos confirmarem essa expectativa, as oportunidades de ocupação poderão ser suficientes para absorver a mão de obra adicional. Mas o quadro geral dependerá, obviamente, da modernização tecnológica, do preparo dos trabalhadores para as novas condições e, portanto, também do investimento na expansão e na modernização do sistema educacional.

Educação: o grande desafio negligenciado

O governo federal tem dado alguma atenção aos desafios da educação, superando nesse aspecto várias administrações estaduais. Mas o esforço continua dependente – e assim deverá permanecer – principalmente dos governos subnacionais, nem sempre voltados tanto quanto deveriam à educação básica e à formação dos jovens. O novo governo fracassará num ponto essencial, se negligenciar essa tarefa ou se for incapaz de enfrentá-la.

Apesar de fundamental para o desenvolvimento econômico, social e, talvez, político, a educação permanece um tema pouco importante – e, mais do que isso, quase imperceptível – no debate público do dia a dia. Não só o problema educacional, no entanto, tem sido quase esquecido na rotina da maior parte dos políticos. No período pré-eleitoral, debates sobre grandes problemas nacionais têm sido escassos. Referências a temas essenciais têm sido, além de raras, quase sempre irrelevantes. Fala-se em nomes e começam a articular-se campanhas, mas programas e projetos são pouco mencionados. Será cedo demais para iniciar pregações e debates ou haverá, mesmo, pouco interesse em abrir discussões sobre grandes problemas e grandes objetivos?

Debate público raso e falta de prioridades

Crescimento econômico, emprego, tecnologia, inserção internacional, diplomacia, educação, investimento, inflação, contas públicas, programas setoriais, segurança, gestão ambiental e cultura são assuntos da imprensa escrita, dos meios de comunicação eletrônicos e de alguns servidores públicos e autoridades, mas permanecem com pouco peso e com tratamento precário no dia a dia da maior parte dos políticos. Nem a perspectiva de eleições próximas parece estimular discursos e debates de algum relevo.

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Estarão os brasileiros dispostos a continuar atolados num crescimento anual raramente superior – e até inferior, muitas vezes – a 2%? Nem a celebrada abundância de recursos naturais parece estimular discussões políticas sobre maior expansão e grandes mudanças na vida nacional. O assunto foi lembrado, há dias, quando se mencionou o grande estoque de terras raras, mas com pouca repercussão.

Indústria versus agricultura: transformação desigual

Vale a pena deixar a grupos estrangeiros a exploração eficiente desse tipo de riqueza? Tem havido avanços em algumas áreas da economia tradicional. Mas a transformação da indústria tem sido bem menos visível do que a da agricultura, onde empresários e técnicos têm exibido maior disposição de promover grandes mudanças tecnológicas e administrativas. O governo chegou a exibir algum empenho na modernização da indústria e no seu ganho de competitividade, mas esse esforço parece agora menos vigoroso.

Talvez a competição eleitoral tenha alterado as prioridades e imposto novas tarefas às pessoas mais ligadas à política industrial. Pode ser, mas é arriscado afirmar se essas pessoas, mesmo em caso de vitória do atual presidente, reativarão seus melhores projetos. Em caso negativo, o País perderá mais uma chance de escapar do rame-rame dos 2% de expansão.