O Tesouro Nacional divulgou nesta quinta-feira (29) que a Dívida Pública Federal (DPF) total atingiu R$ 9,268 trilhões em junho, uma alta de 2,61% em relação ao mês anterior (R$ 9,032 trilhões). O aumento reflete a emissão líquida de títulos e a apropriação de juros, segundo o órgão.
Composição da dívida
A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) correspondeu a 92% do total, somando R$ 8,527 trilhões. Já a dívida externa ficou em R$ 741 bilhões. Entre os detentores, os fundos de investimento detêm 24%, os bancos 18%, e a Previdência Social 15%. O prazo médio da dívida foi de 4,1 anos.
Impacto da política monetária
O aumento da dívida ocorre em meio à manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano, o que eleva o custo de rolagem dos títulos. O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, destacou que "a dívida pública segue sob controle e dentro das metas fiscais, mas o cenário de juros altos pressiona o endividamento". Ele afirmou ainda que o governo mantém o foco na sustentabilidade fiscal.
Perspectivas fiscais
A DPF acumula alta de 4,5% no primeiro semestre, atingindo R$ 9,268 trilhões. A relação dívida/PIB estimada para junho é de 76,2%, acima dos 75,1% de maio. O Tesouro prevê que a dívida encerre 2026 em torno de R$ 9,8 trilhões, dependendo da trajetória da Selic e da atividade econômica. Analistas avaliam que o cumprimento do arcabouço fiscal é essencial para evitar crescimento descontrolado.
Detalhamento mensal
Em maio, a DPF havia registrado leve recuo de 0,1% ante abril. Com o resultado de junho, a dívida volta a subir, impulsionada principalmente pelo pagamento de juros. A emissão líquida de títulos no mês foi de R$ 89 bilhões, sendo a maior parte para refinanciamento. A dívida de curto prazo (vencimento em até 12 meses) representa 22% do total, percentual considerado confortável pelo Tesouro.
O relatório completo está disponível no site do Tesouro Nacional. A próxima divulgação, referente a julho, será em 29 de agosto.



