O Federal Reserve (Fed) decidiu manter a taxa de juros nos Estados Unidos, mas a decisão não foi unânime, com três diretores votando por um aumento. Para economistas ouvidos pela coluna de Míriam Leitão, a medida não altera o rumo da Selic no Brasil, mas aponta para uma convergência mais lenta da inflação.
Decisão do Fed e suas implicações
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) manteve os juros na faixa de 5,25% a 5,50% pela segunda reunião consecutiva. A votação foi de 10 a 3, com três diretores defendendo um aumento de 0,25 ponto percentual. Essa divisão interna sinaliza que o ciclo de aperto monetário nos EUA pode não ter terminado, mas o ritmo de alta desacelerou.
Essa decisão ocorre em meio a um cenário de inflação ainda acima da meta de 2% nos EUA, mas com sinais de arrefecimento. O mercado esperava a manutenção, mas a dissidência surpreendeu. Segundo analistas, o Fed adota uma postura cautelosa para avaliar os efeitos das altas anteriores.
Impacto na política monetária brasileira
No Brasil, o Banco Central (BC) mantém a Selic em 13,75% ao ano desde setembro de 2022. A expectativa é de que o ciclo de cortes comece em agosto de 2023, com redução de 0,25 ponto percentual. No entanto, a decisão do Fed não altera essa trajetória, segundo a avaliação do economista da coluna.
“A decisão do Fed não muda a trajetória da Selic, mas mostra que o processo de convergência da inflação será mais demorado”, afirmou o economista. Ele explica que o ambiente externo mais restritivo pressiona o câmbio e as expectativas de inflação, o que pode levar o BC brasileiro a ser mais cauteloso.
O Copom já havia sinalizado que o início do afrouxamento depende da evolução da inflação de serviços e das expectativas. Com o Fed mantendo juros altos por mais tempo, o espaço para cortes pode ser menor, aumentando o prêmio de risco nos ativos brasileiros.
Perspectivas para a inflação
A convergência mais lenta da inflação é um ponto de atenção. As projeções do mercado para o IPCA de 2023 estão em torno de 4,9%, acima da meta de 3,25%. Para 2024, a expectativa é de 3,9%, também perto do teto da meta. O economista destaca que a inflação de serviços permanece resiliente, e o repasse cambial pode se intensificar se o Fed não der sinais de flexibilização.
O Copom, em sua última ata, mencionou que o cenário externo é adverso e que o processo desinflacionário deve ser gradual. A decisão do Fed reforça essa visão, sugerindo que os juros brasileiros podem ficar elevados por mais tempo.
Em resumo, a manutenção dos juros pelo Fed não altera o plano de corte da Selic, mas adiciona incerteza sobre o ritmo e a profundidade do afrouxamento. A convergência da inflação deve ocorrer de forma mais lenta, exigindo paciência dos investidores e do BC.



