Recuo de 56% no déficit das contas externas em junho
O déficit das contas externas do Brasil caiu 56% em junho de 2026, totalizando US$ 2,3 bilhões, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central. O resultado foi impulsionado pelo superávit comercial, que atingiu US$ 8,2 bilhões no mês, refletindo o bom desempenho das exportações sobre as importações.
Apesar da melhora no saldo comercial, a balança de serviços e a renda primária apresentaram resultados negativos. O setor de serviços registrou déficit de US$ 3,1 bilhões, enquanto a renda primária (lucros e dividendos remetidos ao exterior) contribuiu com um saldo negativo de US$ 4,5 bilhões. As viagens ao exterior também pesaram, com gastos de brasileiros lá fora superando em US$ 1,2 bilhão os gastos de estrangeiros no Brasil.
Investimentos diretos no país em alta
Em contrapartida, os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 9,1 bilhões em junho, valor superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Segundo o Banco Central, esse fluxo demonstra a confiança dos investidores estrangeiros na economia brasileira, mesmo diante de um cenário global de incertezas.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, o déficit das transações correntes atingiu US$ 18,7 bilhões, valor 12% inferior ao do mesmo período de 2025. O superávit comercial no semestre foi de US$ 38,5 bilhões, enquanto os investimentos diretos totalizaram US$ 45,2 bilhões.
Impacto do superávit comercial e perspectivas
O economista-chefe de uma consultoria, que preferiu não ser identificado, destacou que o superávit comercial tem sido o principal amortecedor das contas externas. "O saldo positivo na balança comercial compensa parcialmente as saídas de recursos por serviços e renda, mas ainda assim o déficit persiste", afirmou.
Para os próximos meses, o Banco Central projeta que o déficit externo continue em trajetória de queda, sustentado pelo bom desempenho das exportações de commodities e pelo aumento da produção industrial. Contudo, alerta para riscos como a desaceleração da economia global e a volatilidade cambial.



