Queda histórica no Kospi
O Kospi, principal índice da Bolsa de Valores da Coreia do Sul, desabou 11% na segunda-feira, 29 de julho, em meio a uma forte liquidação de ações do setor de semicondutores. O movimento foi desencadeado pelo anúncio do governo dos Estados Unidos de novas e amplas restrições à exportação de chips e equipamentos de fabricação de semicondutores para a China. A medida, que visa conter o avanço tecnológico chinês, atingiu em cheio as gigantes sul-coreanas Samsung Electronics e SK Hynix, que dependem fortemente do mercado chinês para suas vendas de memórias e outros chips.
Sell-off generalizado no setor de tecnologia
As ações da Samsung Electronics caíram 12,5%, enquanto as da SK Hynix despencaram 15,3%, liderando as perdas no Kospi. Outras empresas do setor, como a fabricante de equipamentos de semicondutores Hanmi Semiconductor, também registraram quedas superiores a 10%. O índice Kospi foi suspenso temporariamente por uma hora após atingir o limite de baixa de 10%, em uma medida de proteção ao mercado.
Segundo analistas, as novas regras americanas proíbem a venda de chips de alto desempenho e equipamentos de litografia para a China sem licença especial, afetando diretamente as receitas das empresas coreanas. "A China é responsável por cerca de 30% das vendas de semicondutores da Coreia do Sul", afirmou Park Sang-hyun, economista do HI Investment & Securities. "Com essas restrições, a demanda deve cair significativamente, pressionando as margens e os lucros das empresas."
Impacto nos mercados globais
O sell-off não ficou restrito à Coreia do Sul. Os índices asiáticos em geral recuaram, com o Nikkei, do Japão, caindo 3,5%, e o Shanghai Composite, da China, perdendo 2,1%. Os futuros dos índices americanos também operaram em baixa, refletindo o temor de que a guerra tecnológica entre EUA e China possa se intensificar. O setor de semicondutores global, que vinha se recuperando de uma desaceleração no ano passado, agora enfrenta novas incertezas.
O governo sul-coreano, em reunião de emergência, afirmou que está monitorando a situação e pode implementar medidas de estabilização, como a compra de ações ou a flexibilização de regras de venda a descoberto. "Vamos tomar todas as ações necessárias para proteger nossos mercados e investidores", disse o ministro das Finanças, Choi Sang-mok, em comunicado.
Reações e perspectivas
Investidores e analistas questionam se o pior já passou. Alguns acreditam que a reação exagerada pode criar oportunidades de compra, enquanto outros alertam para um cenário mais prolongado de volatilidade. A consultoria Bernstein reduziu sua recomendação para o setor de semicondutores coreano de "overweight" para "market weight", citando riscos regulatórios.
"A curto prazo, a pressão vendedora deve continuar, pois o mercado digere as implicações das restrições", disse Kim Young-chan, estrategista da Shinhan Investment Corp. "Mas a longo prazo, as empresas coreanas têm capacidade de se adaptar, diversificando mercados e investindo em P&D."
Contexto geopolítico
As novas restrições dos EUA fazem parte de uma estratégia mais ampla de contenção da China no setor de alta tecnologia. Em outubro de 2023, o governo americano já havia imposto limites severos à exportação de chips de inteligência artificial e equipamentos de fabricação. Agora, as regras foram ampliadas para incluir chips de memória e sensores utilizados em aplicações civis e militares.
A China respondeu com ameaças de retaliação, incluindo a possibilidade de restringir a exportação de terras raras, essenciais para a fabricação de chips. A escalada da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo preocupa investidores globais, que já enfrentam juros altos e inflação.
O índice Kospi encerrou o dia em queda de 11%, aos 2.400 pontos, o menor nível desde janeiro deste ano. O volume de negócios foi o maior em mais de um ano, com 15 trilhões de won em ações negociadas. A volatilidade deve permanecer elevada nos próximos dias, à espera de novos pronunciamentos oficiais.



