Uma nova crise no setor de semicondutores abalou os mercados asiáticos nesta terça-feira, com o índice sul-coreano Kospi registrando uma queda de 11%, o que levou à suspensão temporária das negociações na bolsa da Coreia do Sul. O movimento, classificado como um "sell-off" agressivo, foi motivado por preocupações com a demanda global por chips e a escalada das tensões comerciais entre Estados Unidos e China.
O que provocou a queda histórica
O Kospi, principal índice da Bolsa de Valores da Coreia do Sul, atingiu seu menor nível em mais de um ano, com ações de gigantes do setor de semicondutores, como Samsung Electronics e SK Hynix, liderando as perdas. A Samsung caiu mais de 12%, enquanto a SK Hynix recuou 14%, arrastando o índice para baixo. A suspensão das negociações, conhecida como "circuit breaker", foi acionada após a queda superar o limite de 10% em um único dia, algo que não ocorria desde a crise financeira de 2008.
Reação em cadeia nos mercados asiáticos
O impacto não se limitou à Coreia do Sul. As bolsas da Ásia fecharam em forte baixa: o Nikkei, do Japão, caiu 5,2%; o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 4,8%; e o Shanghai Composite, da China, perdeu 3,5%. O movimento reflete o temor de que a desaceleração da economia global reduza a demanda por semicondutores, um dos principais motores do crescimento asiático.
Impacto no Brasil e no mundo
O sell-off nos chips também pressionou os mercados ocidentais. O Ibovespa futuro abriu em queda, mas se recuperou parcialmente após a divulgação de dados de inflação mais baixos nos Estados Unidos. Analistas apontam que a crise pode afetar empresas brasileiras expostas ao setor de tecnologia, como a WEG, que teve sua recomendação elevada pelo Goldman Sachs, mas ainda mantém cautela. "O cenário global é incerto, e o mercado de chips continua volátil", afirmou um estrategista do JPMorgan, em nota.
Perspectivas para investidores
Especialistas recomendam cautela. O Banco do Brasil Asset (BB Asset) destacou cinco ações para ficar de olho na temporada de resultados do segundo trimestre, mas alertou para a volatilidade externa. Enquanto isso, o Tesouro IPCA+ segue como alternativa para investidores que buscam proteção contra a inflação, que subiu 0,06% em julho, segundo o IPCA-15.



