O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que o consumo das famílias foi o principal motor da economia brasileira em 2025, sustentando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,2% no ano passado. A declaração consta no relatório de conclusão da Missão do Artigo IV, divulgado nesta quinta-feira (24).
Consumo como motor do crescimento
Segundo o FMI, o consumo privado cresceu 4,1% em 2025, impulsionado pela melhora do mercado de trabalho, aumento da renda disponível e expansão do crédito. O consumo do governo também contribuiu, com alta de 1,8%.
O relatório destaca que a inflação controlada e a queda dos juros ao longo de 2025 ajudaram a estimular a demanda doméstica. A taxa Selic foi reduzida de 13,75% para 11,25% ao ano entre janeiro e dezembro.
Investimentos e setor externo
Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) cresceram 2,5%, abaixo do consumo, indicando que a economia ainda depende mais do consumo do que da capacidade produtiva. As exportações líquidas tiveram contribuição negativa, com importações crescendo 6,2% e exportações 3,8%.
O FMI projetou crescimento de 2,1% para o PIB brasileiro em 2026, abaixo do ritmo de 2025, refletindo o aperto monetário gradual e a desaceleração global.
Riscos e recomendações
Entre os riscos citados estão a incerteza fiscal, a volatilidade dos mercados financeiros e o impacto de choques externos. O FMI recomendou que o Brasil mantenha a âncora fiscal, avance na reforma tributária e implemente políticas para aumentar a produtividade.
“O crescimento baseado no consumo tem limites; é preciso elevar o investimento e a produtividade para garantir expansão sustentável”, afirmou o chefe da missão do FMI, Lorenzo Figliuoli, em coletiva de imprensa.
O relatório também elogiou a resiliência do sistema financeiro brasileiro e a redução da pobreza, mas alertou para a necessidade de melhorias na educação e infraestrutura.



