Confiança empresarial recua em julho ao menor nível desde dezembro
Confiança empresarial recua ao menor nível desde dezembro

O Índice de Confiança Empresarial (ICE), medido pelo FGV/Ibre, recuou 1,4 ponto em julho, passando para 91,3 pontos, o menor patamar desde dezembro, quando o indicador havia marcado 90,1 pontos. Na métrica de médias móveis trimestrais, o índice registrou variação negativa de 0,1 ponto, revertendo parcialmente a alta observada nos dois meses anteriores.

De acordo com Aloisio Campelo Jr., pesquisador do FGV/Ibre, a confiança empresarial devolveu a alta acumulada em maio e junho, com piora nas avaliações da Indústria e dos Serviços. Ele destacou que o recuo da confiança industrial parece refletir a preocupação com as novas tarifas de importação dos Estados Unidos, enquanto a retração dos Serviços está associada a uma percepção de enfraquecimento da demanda.

Visão do pesquisador

“Como atenuante, o indicador de otimismo com os negócios nos seis meses seguintes permaneceu relativamente estável. O mercado de trabalho segue aquecido e sustenta o consumo, mas mantém a inflação pressionada e reforça a perspectiva de juros restritivos por mais tempo. Se a tendência de queda da confiança persistir, poderá contribuir para a desaceleração da atividade no segundo semestre”, projetou Campelo Jr. em nota oficial.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O pesquisador também chamou atenção para o comportamento do mercado de trabalho, que continua sendo um suporte para o consumo das famílias, embora mantenha pressões inflacionárias. Esse cenário, combinado com a expectativa de juros elevados por mais tempo, pode pesar sobre as decisões de investimento das empresas nos próximos meses.

Situação atual e expectativas

Em julho, o Índice da Situação Atual Empresarial (ISA-E), que mede a percepção dos empresários sobre o momento presente, caiu 1,5 ponto, para 92,9 pontos. Trata-se da maior queda mensal desde agosto de 2025, quando o indicador havia recuado 1,9 ponto. Entre seus componentes, o indicador de satisfação com a situação atual dos negócios cedeu 1,7 ponto, para 91,8 pontos, enquanto o indicador que mede o nível da demanda no momento presente diminuiu 1,2 ponto, para 94,1 pontos.

No campo das expectativas, o Índice de Expectativas Empresariais (IEE) encerrou o mês em 89,8 pontos, com recuo de 1,2 ponto. O componente que mede o otimismo com a demanda nos três meses seguintes caiu 2,2 pontos, para 87,2 pontos, ao passo que o indicador que capta as expectativas em relação à evolução dos negócios seis meses à frente recuou 0,2 ponto, para 92,5 pontos. Esses números mostram um quadro de cautela, com os empresários menos confiantes tanto no curto quanto no médio prazo.

Desempenho por setores

Entre os quatro setores monitorados pelo FGV/Ibre, a confiança recuou em dois em julho. A maior queda ocorreu em Serviços, cujo índice cedeu 3,0 pontos no mês, para 87,8 pontos, depois de acumular alta de exatos 3,0 pontos nos dois meses anteriores. O índice da Indústria também diminuiu, em 2,9 pontos, passando para 97,2 pontos, após subir 3,0 pontos em junho.

No sentido oposto, o Índice de Confiança do Comércio avançou 0,4 ponto no mês, alcançando 85,5 pontos, enquanto o da Construção subiu 0,8 ponto, para 92,5 pontos. Os dados sugerem um comportamento heterogêneo entre os setores, refletindo diferentes expectativas em relação à demanda e às condições de financiamento.

Médias móveis trimestrais

Na análise da média móvel trimestral, o Comércio passou a sinalizar uma trajetória declinante, enquanto Construção e Serviços apresentam estabilidade. A Indústria, por sua vez, mantém tendência de alta, mesmo com a queda pontual de julho. Essa divergência setorial é relevante para a formulação de políticas econômicas, pois indica que os efeitos das tensões comerciais e das condições monetárias não atingem todos os segmentos de forma homogênea.

Difusão da confiança

Em julho, a confiança empresarial avançou em apenas 13 dos 49 segmentos integrantes do ICE, uma disseminação inferior à observada no mês anterior. O destaque negativo do mês é o setor de Serviços, em que apenas 1 dos 13 segmentos registrou alta da confiança. Essa concentração da queda indica que o pessimismo está mais difundido, especialmente entre as empresas de serviços, que lidam diretamente com a demanda doméstica.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

O resultado de julho reforça o alerta sobre os riscos de desaceleração da atividade econômica no segundo semestre, conforme apontou o pesquisador. A combinação de confiança em queda, juros restritivos e incertezas externas pode limitar o ritmo de crescimento, mesmo com um mercado de trabalho ainda aquecido. A evolução do ICE nos próximos meses será um termômetro importante para avaliar a resiliência da economia brasileira diante desses desafios.