A confiança do consumidor brasileiro recuou em meio ao ritmo mais fraco da economia, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) registrou queda, e a maior retração ocorreu entre os consumidores com renda mensal de até R$ 2.100, o que sinaliza que os efeitos da desaceleração econômica são mais severos sobre as camadas de menor poder aquisitivo.
Queda por faixa de renda
Entre as quatro faixas de renda pesquisadas pela FGV, todas apresentaram deterioração na confiança. No entanto, a faixa mais baixa, com ganhos mensais de até R$ 2.100, teve a queda mais intensa. Esse grupo é particularmente sensível a variações no mercado de trabalho e na inflação, que comprimem o poder de compra.
Nas faixas intermediárias, o recuo foi menos acentuado, mas ainda significativo. Já entre os consumidores de renda mais alta, a confiança também caiu, embora em menor magnitude. A pesquisa mostra que a percepção sobre a situação econômica atual e as expectativas para os próximos meses pioraram em todos os segmentos.
Contexto econômico
O indicador da FGV reflete o cenário de crescimento econômico mais moderado, com impactos sobre o consumo. A desaceleração da atividade, combinada com juros elevados e incertezas fiscais, tem pressionado as famílias. Além disso, a reforma tributária em discussão no Congresso gera expectativas, mas também dúvidas sobre seus efeitos de curto prazo.
A pesquisa é realizada mensalmente com consumidores em todo o país e serve como termômetro para a disposição de consumo e investimento das famílias. A queda na confiança sugere que o consumo deve permanecer fraco nos próximos meses, o que pode impactar o comércio e a indústria.
Impacto esperado
Com a confiança em baixa, a tendência é de que as famílias reduzam gastos com bens duráveis e serviços não essenciais, priorizando itens básicos. Isso pode frear a recuperação econômica e pressionar o governo a adotar medidas de estímulo. A FGV destaca que a recuperação da confiança depende de uma melhora sustentada no mercado de trabalho e na renda disponível.
A análise por faixa de renda é crucial para políticas públicas, pois indica quais grupos precisam de maior apoio. A queda mais forte entre os mais pobres acende um alerta para a necessidade de programas sociais e de geração de emprego.



