A confiança dos comerciantes brasileiros registrou queda em julho, interrompendo uma sequência de altas. O Índice de Confiança do Comerciante (ICEC), medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), recuou 0,8 ponto percentual em relação a junho, atingindo 108,2 pontos. Apesar da retração, o indicador ainda se mantém acima da linha dos 100 pontos, que separa otimismo de pessimismo.
Queda foi puxada por piora nas expectativas e nas condições atuais
De acordo com a CNC, a redução do ICEC em julho reflete a piora em dois dos três subíndices que compõem o indicador. O Índice de Expectativas do Comerciante (IEC) caiu 1,1% no mês, enquanto o Índice de Condições Atuais do Comerciante (ICA) recuou 1,9%. Por outro lado, o Índice de Investimento do Comerciante (IIC) apresentou alta de 0,4% em julho, indicando que os empresários ainda mantêm planos de investimento, embora mais cautelosos.
Setor de supermercados lidera otimismo, enquanto vestuário mostra cautela
Entre os segmentos pesquisados, o setor de supermercados registrou a maior confiança, com ICEC de 124,3 pontos. Já o segmento de tecidos, vestuário e calçados apresentou o menor índice, com 97,9 pontos, abaixo da linha de neutralidade. A CNC destacou que a diferença entre os setores reflete a heterogeneidade da recuperação do comércio, influenciada por fatores como sazonalidade e comportamento do consumidor.
Economista da CNC diz que cenário ainda é de incerteza
"A queda da confiança em julho sinaliza que os comerciantes estão mais cautelosos diante de um cenário econômico ainda incerto, com juros elevados e inflação pressionando o consumo das famílias", afirmou o economista da CNC Antonio Carlos Lacerda. Segundo ele, embora o ICEC permaneça em patamar otimista, a tendência de desaceleração preocupa. "Precisamos acompanhar os próximos meses para confirmar se essa queda é pontual ou o início de uma trajetória de pessimismo."
Impacto para o varejo e perspectivas
A redução da confiança dos comerciantes pode ter reflexos sobre as vendas do varejo nos próximos meses. A CNC projeta que o volume de vendas do comércio varejista deve crescer 1,8% em 2026, abaixo do crescimento de 2,4% registrado no ano anterior. A desaceleração reflete o arrefecimento da economia e o aperto nas condições de crédito. No entanto, a entidade ressalta que o mercado de trabalho aquecido e a queda da inflação projetada para o segundo semestre podem sustentar o consumo.



