O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), registrou queda de 0,8% em junho na comparação com maio. O indicador, que vinha em trajetória de recuperação nos meses anteriores, inverteu a tendência e sinaliza cautela entre os empresários do setor.
Queda nas expectativas
De acordo com a CNC, a retração foi puxada principalmente pela piora nas expectativas dos empresários para os próximos meses. O componente que mede as perspectivas para a economia e para o próprio negócio apresentou recuo mais acentuado, enquanto as condições atuais mostraram estabilidade. A pesquisa ouviu cerca de 2 mil empresários em todo o país.
O Icec é um dos principais termômetros do varejo brasileiro e antecipa movimentos de consumo e investimento. A queda de 0,8% em junho interrompe uma sequência de altas observadas desde o início do ano, quando o índice acumulava ganhos impulsionados pela melhora no mercado de trabalho e pela inflação controlada.
Impacto no varejo
A diminuição da confiança pode refletir em decisões de contratação e estoque. Com expectativas menos otimistas, os empresários tendem a reduzir investimentos e postergar contratações, o que pode afetar a atividade do comércio nos próximos meses. A CNC ressalta que o índice ainda se mantém em patamar superior ao do mesmo período do ano passado, indicando que a recuperação não está totalmente comprometida.
Entre os segmentos, o comércio de bens duráveis foi o que mais contribuiu para a queda, seguido pelo setor de supermercados. A alta dos juros e a incerteza política são apontados como fatores que pesam na confiança dos empresários. A CNC monitora o indicador mensalmente e divulgará os dados de julho no fim do próximo mês.



