Bolsas de NY sobem com alívio no petróleo e Treasuries após Trump recuar sobre Irã
Bolsas de NY sobem com alívio no petróleo e Treasuries

As bolsas de Nova York operam em alta nesta segunda-feira, impulsionadas pelo alívio nos preços do petróleo e nos rendimentos dos Treasuries, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizar uma postura mais branda em relação ao Irã. O movimento ocorre em um dia em que os investidores voltam suas atenções para os dados do mercado de trabalho americano, com destaque para o relatório de empregos (payroll) previsto para sexta-feira.

Recuo de Trump sobre o Irã acalma os mercados

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que não busca um conflito direto com o Irã, o que foi interpretado como um recuo nas tensões geopolíticas que vinham pressionando os mercados globais. A notícia trouxe alívio imediato, com o petróleo recuando e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) caindo, favorecendo o apetite por risco.

O índice Dow Jones subia cerca de 0,5%, enquanto o S&P 500 avançava 0,4% e o Nasdaq registrava alta de 0,3% no início das negociações. O movimento era liderado por ações de tecnologia e de consumo discricionário, setores mais sensíveis às perspectivas de juros.

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Mercado de trabalho nos EUA em foco

Nesta semana, os investidores acompanham uma série de indicadores do mercado de trabalho americano, com atenção especial para o relatório de empregos não agrícolas (payroll) de dezembro, que será divulgado na sexta-feira. A expectativa é de que a economia americana tenha criado cerca de 160 mil vagas no mês passado, segundo pesquisa da Reuters, com a taxa de desemprego estável em 3,7%.

Além do payroll, a agenda da semana inclui os dados de ofertas de emprego (JOLTS) e o relatório ADP de emprego no setor privado, que servem como prévia para o relatório oficial. Os números devem dar pistas sobre a trajetória da política monetária do Federal Reserve, que tem mantido os juros em níveis elevados para conter a inflação.

Impacto nos Treasuries e no petróleo

O rendimento do Treasury de 10 anos recuava para cerca de 4,0%, após ter atingido máximas recentes acima de 4,1% na semana passada. A queda nos rendimentos reflete a busca por segurança e as expectativas de que o Fed possa iniciar cortes de juros ainda neste ano, caso o mercado de trabalho mostre sinais de esfriamento.

No mercado de petróleo, o barril do WTI caía cerca de 1,5%, negociado a aproximadamente US$ 73, enquanto o Brent recuava para US$ 78. A queda ocorreu após Trump afirmar que os Estados Unidos não têm intenção de atacar instalações nucleares iranianas, reduzindo o risco de interrupção no fornecimento da commodity.

Análise de especialistas

Segundo analistas do banco Goldman Sachs, a trégua nas tensões com o Irã deve reduzir o prêmio de risco geopolítico no preço do petróleo, mas a trajetória dos preços ainda dependerá da demanda global e das decisões da Opep+. "O mercado está precificando um cenário de menor risco, mas o payroll de sexta-feira pode redefinir as expectativas de juros", afirmou o economista-chefe do banco, Jan Hatzius, em nota a clientes.

O estrategista de renda fixa da BlackRock, Jeffrey Rosenberg, destacou que a queda nos Treasuries é um alívio para o mercado de ações, mas alertou que a volatilidade deve continuar. "Os investidores estão atentos aos dados de emprego, que podem influenciar a próxima decisão do Fed", disse Rosenberg.

Perspectivas para o restante da semana

Além do payroll, a agenda inclui a ata da última reunião do Fed, que será divulgada na quarta-feira, e discursos de dirigentes do banco central. Os investidores também monitoram a temporada de balanços, que começa com os grandes bancos americanos na sexta-feira.

O clima de otimismo, no entanto, pode ser ofuscado por preocupações com a inflação e com o ritmo de crescimento econômico global. A guerra comercial entre Estados Unidos e China segue no radar, embora as negociações tenham avançado recentemente.

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