As bolsas de Nova York registraram forte alta nesta quinta-feira, impulsionadas por um robusto movimento de recuperação das ações de tecnologia, após o sell-off da véspera. O índice Dow Jones subiu 1,2%, o S&P 500 avançou 1,6% e o Nasdaq, com forte exposição a techs, disparou 2,1%. O clima de otimismo foi alimentado por balanços positivos de grandes empresas do setor e pela expectativa de que o Federal Reserve mantenha uma postura accommodativa.
Dados econômicos têm pouco impacto
A leitura em linha com o esperado do índice de preços de gastos com consumo (PCE) de junho e a leitura levemente abaixo do consenso do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre tiveram pouca influência nas negociações. O PCE, medida de inflação preferida do Fed, subiu 2,5% na comparação anual, conforme projetado. Já o PIB cresceu 2,0% no segundo trimestre, ligeiramente abaixo da expectativa de 2,1%.
Segundo analistas, os números não alteraram as expectativas de que o banco central americano iniciará cortes de juros no segundo semestre. “O mercado já precificava esses dados. O foco continua nos lucros das empresas e na perspectiva de queda das taxas de juros”, disse um estrategista de um grande banco de investimento, que preferiu não ser identificado.
Setor de tecnologia lidera ganhos
O setor de tecnologia foi o grande destaque, com ações de gigantes como Apple, Microsoft e Nvidia subindo entre 2% e 4%. A recuperação ocorre após um dia de perdas acentuadas, quando o índice Nasdaq caiu mais de 3% na quarta-feira, pressionado por preocupações com valuations elevados e sinais de desaceleração da economia.
O movimento de alta também foi reforçado por resultados trimestrais melhores que o esperado de empresas como Meta Platforms e Alphabet, que reportaram crescimento robusto em receitas de publicidade e nuvem. Esses balanços reacenderam a confiança no setor, que havia sido abalado nos últimos dias.
Impacto no mercado global
A recuperação em Wall Street teve reflexos positivos nos mercados asiáticos e europeus, que fecharam em alta na esteira do otimismo. O índice Stoxx 600 europeu subiu 0,8%, enquanto o japonês Nikkei avançou 1,4%. Investidores globais acompanham atentamente os próximos passos do Fed, com a reunião de setembro sendo vista como a mais provável para um corte de 0,25 ponto percentual nos juros.
No mercado de câmbio, o dólar se enfraqueceu ante uma cesta de moedas, refletindo a expectativa de juros mais baixos. O índice DXY caiu 0,4%, enquanto o euro e o iene se valorizaram. Já os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos recuaram para 4,2%, menor nível em três meses.
Perspectivas para os próximos dias
A agenda da próxima semana inclui a divulgação do relatório de empregos de julho (payroll), que pode dar novas pistas sobre a saúde do mercado de trabalho e influenciar as decisões do Fed. Analistas esperam a criação de 180 mil vagas, com a taxa de desemprego estável em 4,1%. Qualquer surpresa nos dados pode reacender a volatilidade.
Para já, o mercado parece ter absorvido o sell-off da véspera como uma correção saudável em um rali que acumulava ganhos expressivos. O índice S&P 500 ainda opera em alta de mais de 15% no ano, impulsionado pelo entusiasmo com inteligência artificial e cortes de juros iminentes.



