A bolsa da Coreia do Sul desabou 10% nesta terça-feira (23), acionando o mecanismo de circuit breaker pela primeira vez em anos. O índice Kospi fechou em queda de 10,2%, puxado pelo tombo das ações de tecnologia, como Samsung Electronics e SK Hynix, que perderam mais de 12% cada.
Impacto das tarifas americanas e temor de recessão
O movimento foi desencadeado pelo anúncio de novas tarifas comerciais dos Estados Unidos sobre produtos chineses e sul-coreanos, elevando o temor de uma guerra comercial prolongada. Investidores também reagiram à perspectiva de juros mais altos por mais tempo nos EUA, após dados de inflação acima do esperado.
O circuit breaker interrompeu as negociações por 20 minutos, mas a venda generalizada continuou após a reabertura. O volume negociado foi o maior em seis meses, com mais de 1,5 trilhão de won sul-coreanos (cerca de US$ 1,1 bilhão) sendo movimentados.
Reação em cadeia nos mercados asiáticos
A queda na Coreia do Sul contaminou outros mercados asiáticos. O índice Nikkei, do Japão, caiu 4,5%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 3,8%. O índice Shanghai, da China, fechou em baixa de 2,1%.
“O mercado está precificando um cenário de recessão global, com a guerra comercial se intensificando e a China desacelerando”, afirmou Kim Jung-ho, analista da KB Securities, em entrevista à Reuters. “A dependência da Coreia do Sul de exportações de semicondutores a torna especialmente vulnerável.”
Dólar e juros no Brasil acompanham movimento
No Brasil, o dólar comercial subiu 1,8%, cotado a R$ 5,67, refletindo a aversão ao risco global. A taxa do contrato de DI para janeiro de 2027 saltou de 13,45% para 13,78%, indicando expectativa de aperto monetário.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em queda de 2,3%, aos 127.500 pontos, pressionado por ações de commodities e tecnologia. A Vale caiu 3,1%, e a Petrobras recuou 2,5%.
Expectativas para a ata do Copom
Investidores aguardam a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será divulgada nesta quarta-feira. O documento deve trazer detalhes sobre a decisão de manter a Selic em 13,25%, além de sinais sobre os próximos passos. O mercado projeta nova alta de 0,5 ponto percentual na reunião de maio.
“A magnitude da calibração será ajustada à luz da evolução do cenário”, afirmou o Banco Central em comunicado recente, sinalizando cautela. A ata pode reforçar o tom hawkish, especialmente diante da inflação de serviços e do mercado de trabalho aquecido.



