O avanço das apostas online, conhecidas como bets, no Brasil é marcado por falhas e um impacto desproporcional nas classes de menor poder aquisitivo. O mercado funcionou sem regras claras por cinco anos, e hoje parte da população vê nas apostas uma tentativa de complementar a renda e ajudar nas despesas do mês.
Falta de regulação e consequências
Durante cinco anos, o setor de apostas online operou no Brasil sem uma legislação específica, o que gerou um ambiente propício para fraudes e falta de proteção ao consumidor. Segundo especialistas, a ausência de regras claras permitiu que empresas atuassem sem fiscalização adequada, prejudicando principalmente os apostadores de baixa renda.
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que cerca de 30% dos apostadores pertencem às classes D e E, e muitos utilizam as bets como forma de tentar obter uma renda extra. No entanto, a maioria acaba perdendo dinheiro, agravando sua situação financeira.
Impacto nas classes de menor poder aquisitivo
O impacto nas classes de menor poder aquisitivo é significativo. Muitos apostadores veem nas plataformas de apostas uma oportunidade rápida de ganhar dinheiro, mas acabam endividados. “É uma ilusão. As pessoas acham que vão resolver a vida, mas na maioria das vezes perdem o pouco que têm”, afirma o economista Carlos Albuquerque, da Universidade de São Paulo.
Um levantamento do Banco Central mostrou que, em 2025, as transferências para sites de apostas cresceram 40% em relação ao ano anterior, com maior concentração em regiões de baixa renda.
Falhas no sistema e falta de transparência
Além do impacto social, o setor enfrenta falhas técnicas e operacionais. Denúncias de jogos manipulados e dificuldades para sacar prêmios são comuns. A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) registrou um aumento de 150% nas reclamações contra casas de apostas nos últimos dois anos.
A regulamentação, que entrou em vigor parcialmente em 2025, ainda não conseguiu coibir todas as irregularidades. O governo prometeu intensificar a fiscalização, mas especialistas cobram medidas mais efetivas.



