A Citadel, uma das maiores gestoras de hedge funds do mundo, surpreendeu o mercado financeiro ao projetar um aumento inesperado da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) ainda nesta semana. A previsão, divulgada na segunda-feira, 27 de julho, contraria a maioria das expectativas de analistas, que apostavam na manutenção dos juros nos atuais níveis de 5,25% a 5,50%.
Fundamentos da projeção
De acordo com fontes próximas à gestora, a Citadel baseou sua projeção em indicadores econômicos recentes que mostram uma inflação mais persistente do que o antecipado. O núcleo do índice de preços PCE, preferido pelo Fed, subiu 0,3% em junho, acima da previsão de 0,2%, reforçando os temores de que a inflação não está cedendo. “Os dados de junho indicam que a inflação subjacente continua acima da meta, pressionando o Fed a agir”, afirmou um executivo da Citadel sob condição de anonimato.
Além disso, o mercado de trabalho americano continua aquecido, com a taxa de desemprego em 3,8% e a criação de vagas acima de 200 mil nos últimos meses. A combinação de inflação teimosa e pleno emprego dá argumentos para uma elevação de juros, mesmo que em meio a uma reunião não programada.
Reações do mercado e analistas
A notícia gerou volatilidade nos mercados futuros. Os contratos de juros nos EUa registraram movimentos atípicos, com a probabilidade implícita de um aumento passando de 5% para 25% em poucas horas. O índice S&P 500 caiu 0,8% no pré-mercado, enquanto o dólar se fortaleceu frente a moedas emergentes, como o real brasileiro e o peso mexicano.
Analistas de outras instituições, no entanto, mantêm ceticismo. “A chance de um movimento surpresa é baixa, mas não zero”, disse o economista-chefe de um grande banco de investimentos. “O Fed tem sido cauteloso e prefere comunicar mudanças com antecedência. Um aumento agora seria um choque de credibilidade.”
A própria Citadel já teria ajustado suas posições para se beneficiar de um possível aumento, segundo fontes. A gestora nega qualquer irregularidade, afirmando que suas projeções são baseadas em análises econômicas públicas.
Possíveis consequências para o Brasil
Caso a previsão se concretize, seria a primeira vez desde 2022 que o Fed eleva juros em uma reunião não programada. A medida poderia impactar mercados de câmbio, renda fixa e ações globalmente. O Brasil, sensível a mudanças nos juros americanos, poderia ver pressão sobre o real, que já acumula desvalorização de 6% no ano. A curva de juros futuros brasileira poderia ter novos aumentos, encarecendo o crédito e desacelerando a economia.
Especialistas alertam que um movimento agressivo do Fed pode levar o Banco Central brasileiro a rever suas próprias projeções de juros, que atualmente indicam manutenção da Selic em 10,50%. “Se o Fed subir os juros, o BC pode ser forçado a interromper o ciclo de cortes ou até mesmo elevar a taxa”, afirmou um estrategista de renda fixa.
Histórico e precedentes
O Fed já realizou aumentos surpresa de juros no passado, como em 1994, quando elevou a taxa em 0,75 ponto percentual em uma reunião emergencial. No entanto, desde que adotou uma comunicação mais transparente, o banco central americano evita movimentos não programados. A última vez que isso ocorreu foi em março de 2020, quando cortou juros para zero em uma reunião de emergência devido à pandemia.
A decisão final caberá ao Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que se reúne na quarta-feira, 29 de julho. Até lá, o mercado deve permanecer em estado de alerta, com a expectativa de que a Citadel possa estar certa e o mundo financeiro tenha que se adaptar a um novo cenário de aperto monetário.



