O fundador e presidente-executivo do Conselho de Administração da XP, Guilherme Benchimol, afirmou que não há outro caminho para o Brasil senão o ajuste fiscal. Segundo ele, o reequilíbrio das contas públicas é pré-condição para atrair mais investimentos ao país e para o desenvolvimento de um mercado financeiro com maior participação em ativos de risco.
A importância do ajuste fiscal
Benchimol destacou que a trajetória atual das contas públicas gera incertezas que afastam investidores. Sem um ajuste crível, o Brasil continuará com juros elevados e baixa atratividade para aplicações de longo prazo. A XP, que busca expandir sua participação de mercado, vê no ajuste fiscal uma alavanca para reduzir a dependência de ativos atrelados ao CDI.
O ajuste fiscal, que envolve tanto o controle de despesas quanto o aumento da arrecadação, é visto por economistas como condição necessária para a retomada do crescimento sustentável. No Brasil, o déficit primário e o crescimento da dívida pública pressionam a taxa de juros e limitam a capacidade de investimento do Estado.
Desafios para a XP
A corretora enfrenta um cenário de altas taxas de juros e déficit fiscal, que comprimem margens e limitam o apetite por risco. Para contornar esses obstáculos, a XP vem aprimorando sua governança e diversificando os serviços oferecidos, com foco em produtos de investimento mais sofisticados.
A XP, que tem como um de seus diferenciais a oferta de uma plataforma aberta de investimentos, busca se posicionar como ponte entre o investidor e o mercado de capitais. No entanto, a predominância de aplicações em renda fixa, especialmente títulos públicos, reflete a aversão ao risco gerada pela instabilidade fiscal.
Impacto no mercado de capitais
O desenvolvimento de um mercado com maior presença de ativos de risco, como ações e fundos imobiliários, depende de um ambiente macroeconômico estável. Benchimol acredita que o ajuste fiscal é o primeiro passo para criar esse ambiente, permitindo que a poupança doméstica seja direcionada para investimentos produtivos.
Com um ajuste fiscal bem-sucedido, o Brasil poderia ver uma migração gradual de recursos para ativos de risco, como ações e fundos multimercado. Isso beneficiaria não apenas a XP, mas todo o ecossistema de investimentos.
O papel da governança
Além do ajuste fiscal, Benchimol ressaltou a importância de aprimorar a governança corporativa. A XP tem investido em fortalecer seu conselho de administração e suas práticas de compliance, visando aumentar a transparência e a confiança dos investidores. Essas medidas são consideradas complementares ao ajuste fiscal para criar um ambiente de negócios mais robusto.
A fala de Benchimol reforça o consenso entre agentes financeiros de que o ajuste fiscal é o ponto de partida para qualquer estratégia de desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro. A expectativa é que, com contas equilibradas, haja espaço para redução da taxa básica de juros e maior liquidez no mercado.
Perspectivas
Benchimol reiterou que não há atalhos: o ajuste fiscal é inevitável para que o Brasil possa competir globalmente por investimentos. A declaração do executivo ocorre em meio a debates no Congresso sobre a necessidade de conter gastos públicos e garantir a sustentabilidade da dívida. Para a XP, a aprovação de medidas fiscais é vista como um sinal positivo para o setor financeiro como um todo.



