As ações de tecnologia estão despencando nesta terça-feira (23) em todo o mundo, lideradas por uma forte liquidação em Wall Street. O movimento é alimentado por preocupações renovadas de que o Federal Reserve (Fed) possa manter os juros altos por mais tempo, além de receios sobre os elevados gastos em inteligência artificial (IA).
Queda generalizada nos mercados
O índice Nasdaq, referência em tecnologia, recuava mais de 2% no início da tarde, enquanto o S&P 500 caía cerca de 1,5%. Na Europa, o índice Stoxx 600 de tecnologia perdia 3,2%. Na Ásia, o Nikkei japonês fechou em baixa de 1,5%, pressionado por ações de semicondutores.
O movimento de venda foi desencadeado por uma combinação de fatores. Dados econômicos dos EUA divulgados na segunda-feira mostraram uma economia ainda aquecida, o que reduz as chances de cortes de juros pelo Fed. Além disso, balanços de grandes empresas de tecnologia, como Microsoft e Alphabet, indicam que os investimentos em IA estão crescendo, mas o retorno ainda é incerto.
Fed no centro das atenções
O mercado monitora de perto a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) no Brasil e as falas de dirigentes do Fed. O temor é que a autoridade monetária americana mantenha uma postura hawkish, mantendo os juros elevados para conter a inflação, o que prejudica a valuation de empresas de tecnologia, que dependem de fluxos de caixa futuros.
Segundo analistas do Goldman Sachs, a liquidação reflete uma correção após meses de alta impulsionada pela euforia com IA. “O mercado está reprecificando as expectativas de lucros e juros”, afirmou o estrategista David Kostin.
Impacto no Brasil
No Brasil, o Ibovespa opera em queda, influenciado pelo exterior. O dólar subia 0,8%, cotado a R$ 5,12. Os juros futuros avançam, com o Tesouro IPCA+ ultrapassando 8,5% ao ano, refletindo aversão ao risco.
Entre as ações brasileiras, as de tecnologia e consumo discricionário são as mais afetadas. A Magazine Luiza caía 4,5%, enquanto a Lojas Renner recuava 3,2%. A Vale e a Petrobras, por outro lado, operavam estáveis, amparadas pela alta do minério de ferro e do petróleo.
Perspectivas
Especialistas avaliam que a correção pode continuar nos próximos dias, com a temporada de balanços nos EUA e a reunião do Fed na próxima semana. “O mercado está ajustando suas expectativas. Se os juros não caírem, as ações de tecnologia vão continuar sob pressão”, disse o analista da XP, Fernando Ferreira.
Enquanto isso, investidores de olho na ata do Copom, que será divulgada hoje, podem trazer mais volatilidade para o mercado brasileiro.



