Juros futuros abrem em queda com menor risco global e petróleo abaixo de US$ 90
Juros futuros caem com menor risco e petróleo abaixo de US$ 90

Os juros futuros brasileiros abriram em queda nesta segunda-feira, impulsionados pela redução do risco geopolítico no Oriente Médio e pela cotação do petróleo abaixo de US$ 90 o barril. O movimento reflete um alívio nos mercados globais, após sinais de desescalada no conflito entre Israel e Irã, que vinha elevando os prêmios de risco nas últimas semanas.

Petróleo abaixo de US$ 90 alivia pressão inflacionária

O barril do tipo Brent, referência internacional, negociava por volta de US$ 88,70 no início da manhã, recuando mais de 2% em relação ao fechamento anterior. A queda nos preços da commodity reduz as expectativas de inflação global, especialmente para economias dependentes de importação, como o Brasil. Com isso, diminui a pressão para que os bancos centrais mantenham uma política monetária mais restritiva.

No mercado de juros futuros brasileiro, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2025 caiu de 11,52% para 11,45%, enquanto o DI para janeiro de 2027 recuou de 11,80% para 11,72%. Quanto maior o prazo, maior a sensibilidade às mudanças nas expectativas de crescimento e inflação.

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Menor risco global reduz prêmio de risco brasileiro

A redução das tensões no Oriente Médio também contribui para a queda nos juros futuros, por diminuir o risco sistêmico e a aversão ao risco global. Investidores passam a exigir menos prêmio para aplicar em ativos de países emergentes, como o Brasil. Isso se reflete na taxa de câmbio: o dólar comercial operava em baixa, cotado a R$ 5,15, o que também ajuda a conter a inflação e, consequentemente, as expectativas de juros.

Segundo analistas de mercado, a combinação de petróleo mais barato e menor risco geopolítico cria um ambiente favorável para a continuidade do processo de queda da Selic, atualmente em 10,75% ao ano. Caso as condições persistam, o Banco Central poderá manter o ritmo de cortes de 0,50 ponto percentual na reunião de junho.

Impacto na curva a termo e nas expectativas de política monetária

A curva a termo de juros, que reflete as projeções do mercado para a Selic nos próximos anos, apresentou inclinação mais baixa. O contrato de DI com vencimento em janeiro de 2029 caiu de 12,10% para 12,00%, sinalizando que o mercado precifica uma Selic terminal menor. Isso ocorre porque a inflação esperada para os próximos anos, medida pelo IPCA, também recuou nas projeções, influenciada pela queda dos combustíveis.

Dados do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na semana passada, já mostravam uma leve redução nas expectativas de inflação para 2024, de 4,10% para 4,05%. A commodity petróleo tem peso significativo nos preços dos combustíveis, que por sua vez impactam diretamente a inflação de transporte e alimentos.

Embora o cenário seja positivo para a redução dos juros, analistas alertam que a situação no Oriente Médio ainda é volátil. Qualquer escalada no conflito pode reverter rapidamente a queda do petróleo e elevar novamente o risco global. Além disso, a política fiscal brasileira permanece sob escrutínio, com a meta de déficit zero em 2024 sendo vista como desafiadora pelo mercado.

Perspectivas para os próximos dias

Os investidores acompanharão os dados de atividade econômica dos Estados Unidos, como o índice de gerentes de compras (PMI) e o relatório de empregos (payroll), que podem influenciar a expectativa de juros no maior mercado do mundo. Caso a economia americana mostre sinais de desaceleração, a pressão sobre os juros futuros globais poderá diminuir ainda mais, beneficiando ativos brasileiros.

Por enquanto, a abertura em queda dos juros futuros reflete um alívio imediato, mas o mercado permanece atento a novos desenvolvimentos geopolíticos e à trajetória da política fiscal doméstica. A combinação de fatores externos favoráveis com a condução responsável da política econômica brasileira será determinante para a manutenção desse movimento de baixa nos juros futuros.

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