A taxa de juros do cartão de crédito rotativo subiu para 442,4% ao ano em junho, o maior nível desde janeiro de 2023, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O aumento representa mais uma pressão sobre o orçamento dos consumidores brasileiros, que já enfrentam endividamento elevado.
Detalhes do aumento
Em maio, a taxa estava em 437,2% ao ano, o que significa uma alta de 5,2 pontos percentuais em um mês. No acumulado do primeiro semestre, a taxa subiu 12,5 pontos percentuais. O rotativo é a modalidade mais cara do crédito, acionada quando o cliente não paga o valor total da fatura até o vencimento.
O Banco Central informou que a taxa média do rotativo para pessoas físicas chegou a 442,4% ao ano em junho. Esse percentual é mais de 40 vezes a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 10,5% ao ano.
Impacto para os consumidores
O economista-chefe da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel Ribeiro, afirmou que o aumento reflete a inadimplência elevada e o custo de captação dos bancos. "Os bancos estão repassando o risco de crédito para os clientes, e isso tem elevado as taxas do rotativo", disse.
Segundo a Anefac, o rotativo é utilizado por cerca de 30% dos usuários de cartão de crédito, que deixam de pagar o valor total da fatura. Com juros tão altos, a dívida pode se multiplicar rapidamente.
Comparação com outras modalidades
Em comparação, o crédito pessoal não consignado teve taxa média de 124,5% ao ano em junho, enquanto o cheque especial ficou em 134,2% ao ano. O rotativo continua sendo a linha de crédito mais onerosa do mercado.
Para quem não conseguir quitar a fatura, a recomendação dos especialistas é negociar o parcelamento da dívida diretamente com o banco, pois as taxas do parcelamento costumam ser menores — embora ainda elevadas.
Medidas do governo
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou em 2023 uma resolução que limita a cobrança de juros no rotativo a 30 dias, após os quais o saldo devedor deve ser parcelado. No entanto, a medida ainda não impediu a alta das taxas, que continuam subindo.
O Banco Central informou que monitora a evolução dos juros e que novas medidas podem ser adotadas para estimular a concorrência e reduzir o custo do crédito.



