XP diz que vale comprar ações no Brasil com juro real acima de 8%
XP diz que vale comprar ações no Brasil com juro real acima de 8%

A XP Investimentos avaliou que, mesmo com o juro real acima de 8%, ainda há espaço para comprar ações no Brasil. A corretora entende que a Bolsa brasileira passou por um período de correção que deixou os preços descontados, e que o cenário de juros elevados já está, em grande parte, precificado pelos ativos. A recomendação, no entanto, vem acompanhada de um pedido de seletividade: o momento exige escolher empresas com fundamentos sólidos, previsibilidade de lucros e capacidade de repassar preços.

O juro real — calculado pela diferença entre a taxa Selic e a inflação esperada — tornou a renda fixa bastante competitiva, o que costuma ser um obstáculo para a renda variável. Ainda assim, a XP argumenta que, historicamente, os momentos de maior desconto da Bolsa em relação a juros reais elevados foram seguidos por performance positiva nos meses seguintes. Isso ocorre porque o mercado antecipa a melhora das condições financeiras antes mesmo de o Banco Central começar a cortar a Selic.

Por que a XP diz que sim

A corretora elenca alguns motivos para justificar a visão otimista:

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  • Desconto nas cotações: múltiplos de preço sobre lucro abaixo da média histórica em diversos setores.
  • Possível ciclo de corte da Selic, caso a inflação continue a convergir para a meta.
  • Melhora do balanço das empresas, com menor alavancagem e maior geração de caixa.
  • Prêmio de risco elevado, que amplia o potencial de retorno das ações para quem investe no longo prazo.

Segundo a XP, muitas companhias listadas na B3 passaram os últimos anos reduzindo dívidas, alongando seus passivos e melhorando o fluxo de caixa. Isso torna esses papéis menos sensíveis ao custo do dinheiro e permite que mantenham o pagamento de dividendos mesmo em um cenário de juros altos. A combinação de boas empresas com preços descontados, na avaliação da corretora, é o cenário ideal para o investidor de longo prazo.

Seletividade e diversificação

Apesar da visão positiva, a XP ressalta que a recomendação não significa comprar qualquer ação. A seletividade é essencial. A corretora sugere priorizar empresas com vantagens competitivas claras, geração consistente de caixa, baixo endividamento e governança corporativa sólida. Também recomenda distribuir os aportes em diferentes setores para reduzir o impacto de uma eventual piora no cenário macroeconômico.

O momento exige paciência. A estratégia de compra em lotes, aos poucos, pode ajudar a diluir o risco de entrada em um período de maior turbulência. A corretora lembra que a renda fixa continua sendo uma alternativa relevante, especialmente para objetivos de curto prazo, mas que abrir mão das ações pode custar caro para quem busca retorno real superior no longo prazo.

Em relação ao momento atual, a XP considera que o preço pago por uma ação é mais importante do que o ponto exato do ciclo econômico. Como o mercado costuma antecipar movimentos, a recuperação das cotações pode ocorrer antes mesmo da efetiva queda dos juros. Assim, esperar pelo cenário ideal pode significar perder parte do rali.

O que observar daqui em diante

Para o investidor que decidir seguir a recomendação da XP, é importante acompanhar de perto a evolução da inflação, as decisões de política monetária do Copom, o comportamento das contas públicas e os dados corporativos das empresas investidas. Qualquer sinal de descontrole fiscal pode pressionar os juros futuros e atrasar o ciclo de cortes, o que teria impacto negativo sobre os ativos de risco.

Por outro lado, uma trajetória de queda da inflação e uma sinalização mais clara do Banco Central sobre o afrouxamento monetário tendem a fortalecer a tese apresentada pela corretora. A XP conclui que, para o investidor de longo prazo, o momento é de compra à vista, de forma gradual e dentro de uma carteira diversificada, em vez de tentar prever o melhor dia para entrar no mercado.

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