Queda de ações de construtoras cria oportunidade, diz Itaú BBA
Queda de ações de construtoras cria oportunidade

Relatório do Itaú BBA aponta oportunidade em construtoras de baixa renda

A recente desvalorização das ações de construtoras focadas no segmento de baixa renda abriu uma janela de investimento no setor imobiliário brasileiro, conforme avaliação do Itaú BBA. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (27), os analistas reiteraram a preferência por empresas do segmento social após reunião com executivos da Caixa Econômica Federal (CEF) e da Caixa Seguridade (CXSE3).

A queda de 15% registrada pelo setor após os dados do segundo trimestre de 2026 (2T26) reflete, segundo o banco, um receio exagerado do mercado quanto à sustentabilidade das vendas. O encontro com a diretoria da Caixa reforçou que a instituição estatal pretende expandir sua carteira de financiamentos habitacionais ao longo de 2026, com foco em companhias de alta eficiência.

Ações destacadas: Tenda, Cury e Direcional

Entre as empresas que se beneficiam desse cenário, o Itaú BBA destaca Tenda (TEND3), que negocia a 5,5 e 3,5 vezes o P/L ajustado para 2026 e 2027, respectivamente; Cury (CURY3), a 7 e 5 vezes; e Direcional (DIRR3), a 6 e 4,5 vezes. Esses múltiplos são considerados atrativos diante do potencial de crescimento.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

“Mais importante ainda, a reunião reforçou nossa visão de que a CEF não pretende restringir a disponibilidade de crédito e que a tendência de longo prazo de maior concentração de mercado em empresas de execução de primeira linha permanece intacta”, apontam os analistas do Itaú BBA.

Meta de financiamento de R$ 260 bilhões em 2026

O volume financeiro destinado ao financiamento imobiliário pela Caixa deve apresentar crescimento na comparação anual. Segundo informações prestadas pela diretoria da instituição, a meta de originação para 2026 está projetada em R$ 260 bilhões, superando os R$ 246 bilhões concedidos no ano anterior. O impulso será liderado pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), inclusive com a expansão da Faixa 4 financiada via Fundo Social.

“Hoje, a carteira de empréstimos habitacionais da CEF é composta por 60% de hipotecas financiadas pelo MCMV e 40% pelo SBPE”, diz o relatório. Os analistas explicam que o cenário para a média e alta renda permanece mais desafiador devido aos juros mais altos, que impactam a capacidade de pagamento das famílias no âmbito do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

Desaceleração em junho, mas sustentabilidade preservada

O Itaú BBA ressalta que, mesmo com um primeiro quadrimestre de 2026 registrando ritmo acelerado (alta anual de 30% no primeiro trimestre e recorde histórico em abril), o mês de junho apresentou desaceleração. Contudo, os executivos do banco estatal sinalizaram que a sustentabilidade financeira do programa social segue preservada, dispensando aportes adicionais do FGTS para atender à demanda por moradia.

No campo da inadimplência, a liderança da Caixa assegurou que os atrasos na carteira habitacional se mantiveram estáveis no primeiro semestre de 2026, em patamares equivalentes aos observados em 2025. Eventuais variações em indicadores estatísticos decorrem da implementação da Resolução 4966 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que alterou a metodologia de cálculo das provisões para devedores duvidosos.

Novos critérios de análise de risco

“A nova estrutura adota critérios mais conservadores, exigindo que os tomadores cumpram metas de cura mais rígidas antes que os empréstimos inadimplentes possam retornar ao status de adimplentes”, explica o relatório. A área de risco do banco público tem aprimorado as análises para focar na capacidade total de pagamento dos tomadores, e não apenas na renda formal.

Os analistas do Itaú BBA detalham que os pontos de atenção na carteira concentram-se em mutuários de menor renda do MCMV, na inadimplência de pequenas e médias incorporadoras e no nível alto do parcelamento direto com a construtora (pro-soluto) – onde o comprometimento de renda das famílias tem atingido de 40% a 50%, acima do limite de 30%.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar