O ouro encerrou a sessão desta segunda-feira (3) em território negativo, interrompendo uma sequência de ganhos, em meio à valorização do dólar no mercado internacional. O movimento ocorreu mesmo com o alívio observado nos preços do petróleo e nas taxas dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries), fatores que costumam dar suporte ao metal precioso.
Fechamento dos contratos futuros
Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato de ouro para entrega em dezembro encerrou com queda de 0,42%, a US$ 2.447,20 por onça-troy. O recuo veio após o metal acumular alta de mais de 1% na semana passada, impulsionado por expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed).
De acordo com analistas, o dólar mais forte tornou o ouro mais caro para detentores de outras moedas, reduzindo a atratividade do metal como investimento. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante uma cesta de seis pares, subia 0,3% no fim da tarde, perto das máximas do dia.
Alívio no petróleo e nos Treasuries
Apesar da pressão cambial, o ouro encontrou algum suporte na queda dos rendimentos dos Treasuries. A taxa da nota de 10 anos recuava para 3,94%, ante 3,98% no fechamento anterior, após dados de atividade industrial dos EUA virem mais fracos que o esperado. Juros menores reduzem o custo de oportunidade de manter o metal, que não paga juros.
No mercado de petróleo, os preços operavam em baixa, com o Brent recuando 0,8% e o WTI caindo 1%, após relatos de que a Opep+ pode aumentar a produção em outubro. O movimento aliviou preocupações inflacionárias, o que, em tese, poderia favorecer o ouro, mas não foi suficiente para reverter a tendência negativa.
Perspectivas e dados econômicos
Investidores agora aguardam a divulgação de dados de inflação ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, previstos para quarta-feira (5). O indicador deve dar pistas sobre os próximos passos do Fed. Segundo a ferramenta FedWatch do CME Group, a probabilidade de um corte de 25 pontos-base na reunião de setembro é de 68%, ante 74% na semana passada.
“O mercado está em modo de espera antes do CPI. Qualquer surpresa para cima pode reforçar a narrativa de juros altos por mais tempo, o que seria negativo para o ouro”, disse David Meger, diretor de negociação de metais da High Ridge Futures, em nota.
Impacto para investidores
Para o investidor brasileiro, a queda do ouro em dólar pode ser compensada pela alta da moeda americana frente ao real. No mercado doméstico, o ouro é negociado em reais, e a cotação reflete tanto o preço internacional quanto a variação cambial. Com o dólar em alta, o metal pode até subir localmente, mesmo com o recuo global.
Analistas recomendam cautela, lembrando que o ouro segue sensível a dados macroeconômicos e ao discurso de dirigentes do Fed. A ata da última reunião do comitê, divulgada na quarta-feira, mostrou que a maioria dos membros vê espaço para cortes, mas há divergências sobre o ritmo.
Contexto geopolítico e demanda física
No cenário geopolítico, as tensões no Oriente Médio seguem no radar, com ataques no Mar Vermelho e negociações de cessar-fogo em Gaza. Esses fatores tendem a aumentar a demanda por ativos de refúgio, mas, até o momento, a cautela com a inflação e os juros tem se sobreposto.
Na Ásia, a demanda física por joias e barras segue firme, especialmente na Índia e na China, onde festivais e casamentos impulsionam as compras. Dados da World Gold Council mostram que a demanda global por ouro no segundo trimestre cresceu 4% na comparação anual, puxada por bancos centrais e investidores de varejo.



