Mercado ainda precifica Brasil de antes da Bolsa, diz Opportunity
Mercado precifica Brasil de antes da Bolsa, diz Opportunity

A gestora de recursos Opportunity divulgou um relatório em que aponta que o mercado financeiro ainda precifica o Brasil como se estivesse em um estágio anterior à construção da Bolsa de Valores. Segundo a análise, os valuations das empresas brasileiras estão defasados em relação ao potencial atual da economia, abrindo oportunidades para investidores de longo prazo.

Valuations defasados e oportunidades

De acordo com o relatório, assinado pela equipe de análise da Opportunity, o índice Ibovespa apresenta um múltiplo preço/lucro (P/L) de cerca de 8 vezes, enquanto a média histórica é de 12 vezes. "O mercado ainda carrega um prêmio de risco excessivo, como se o Brasil ainda estivesse vivendo os anos 1990, antes da estabilização econômica e do desenvolvimento do mercado de capitais", afirmou um dos analistas da gestora.

O documento cita que a relação entre o valor de mercado das empresas listadas e o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil está em aproximadamente 40%, muito abaixo da média de países emergentes, que gira em torno de 80%. Isso indicaria que o mercado não está refletindo adequadamente o crescimento do PIB, que deve encerrar 2026 com alta de 2,5%.

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Comparação com outros emergentes

A Opportunity destaca que, em países como Índia e México, os múltiplos são significativamente mais elevados. "Enquanto a Índia negocia a 22 vezes lucros, o Brasil está a 8 vezes. Essa diferença não se justifica apenas pelos riscos fiscais ou políticos", disse a gestora em nota. A análise sugere que, à medida que o Brasil avança em reformas e melhora sua imagem institucional, o prêmio de risco tende a cair.

O relatório também aponta que setores como infraestrutura, agronegócio e tecnologia estão especialmente descontados. "Há empresas sólidas com baixo endividamento e geração de caixa sendo negociadas a preços de liquidação", complementa o texto.

Perspectivas para 2027

Para o próximo ano, a Opportunity projeta que o Ibovespa pode atingir 180 mil pontos, uma alta potencial de 30% em relação ao nível atual. "Se o mercado começar a incorporar uma visão mais realista do Brasil, veremos um movimento de reprecificação significativo", afirmou o gestor da casa. A recomendação é de aumento de exposição em ações domésticas, especialmente em empresas com forte correlação com o consumo interno.

O relatório conclui que o mercado está passando por um momento de "euforia negativa", onde os riscos são superdimensionados e as oportunidades são ignoradas. "Precificar o Brasil como se a Bolsa mal tivesse sido construída é um erro que investidores experientes podem explorar", finaliza o documento.

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