Caso impressiona médicos e familiares
O Fantástico deste domingo (26) repercutiu o caso do bebê Noah, que foi declarado morto e, horas depois, encontrado vivo por funcionários de uma funerária. A reportagem ouviu especialistas para tentar entender o episódio, que ocorreu na Santa Casa de Rio Claro (SP).
O que diz a ciência?
O gerente médico do Hospital Infantil Sabará, Nelson Rorigoshi, explicou que casos semelhantes são extremamente raros. "Isso é muito raro no mundo inteiro. Tem uma revisão que foi feita em 2020. Conseguiram pegar 65 casos. A grande maioria é adulto e idoso. A criança já fica fora da curva", afirmou. Segundo ele, a hipótese discutida na literatura médica é a síndrome de Lázaro, o retorno espontâneo da circulação após a interrupção das tentativas de reanimação. "Eles falam em síndrome de Lázaro, relembrando episódios bíblicos que Jesus fez Lázaro ressuscitar. É uma tentativa de explicação baseada em dados fisiológicos, para não aceitar a teoria de que é algo miraculoso."
No entanto, Rorigoshi destaca que Noah foge do padrão: "Normalmente são minutos. Mais ou menos 70% das pessoas que retornam, retornam até cinco minutos. E o restante retorna em até dez minutos. Olha só como o caso dessa criança é excepcional. A gente está falando de horas."
O episódio e a investigação
Noah nasceu na Santa Casa de Rio Claro com uma grave malformação congênita. Pouco depois do parto, sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e foi submetido por mais de 40 minutos a manobras de reanimação. Após o esgotamento de todos os procedimentos e a constatação clínica da morte, o óbito foi declarado e comunicado à família. Horas depois, enquanto o corpo era preparado para o sepultamento, funcionários da funerária perceberam sinais vitais. O bebê foi levado de volta ao hospital e transferido para a UTI.
O diretor médico do hospital, Marco Aurélio Mestrinel, afirmou: "Não encontramos justificativa. Todos os protocolos foram seguidos e a investigação interna não identificou falhas." O caso também está sendo analisado pela comissão de ética da instituição.
Família e recuperação
Dois dias depois, Noah foi transferido para o Hospital das Clínicas de Bauru, referência em doenças genéticas e anomalias congênitas. Os pais relataram que viveram "quase cinco horas de luto" antes de descobrir que o filho estava vivo. A mãe afirma que o apelido de "Nonô" deu lugar a "bebê milagre". O bebê permanece internado e apresenta evolução clínica, mas ainda passará por novos procedimentos.



