JPMorgan rebaixa Caixa Seguridade e mantém underweight para BB Seguridade
JPMorgan rebaixa Caixa Seguridade e mantém underweight para BB

O JPMorgan revisou sua visão para o setor de seguros no Brasil após a forte valorização das ações desde junho e rebaixou a recomendação para a Caixa Seguridade (CXSE3) de equal-weight para underweight. O banco também reiterou recomendação underweight para a BB Seguridade (BBSE3), avaliando que ambas negociam em níveis elevados em relação aos fundamentos.

Preços-alvo e potencial de valorização

Para a Caixa Seguridade, o preço-alvo foi fixado em R$ 22 para dezembro de 2027, praticamente em linha com a cotação atual, indicando potencial de valorização próximo de zero. Já para a BB Seguridade, o JPMorgan elevou o preço-alvo de R$ 33 para R$ 34, mas vê cerca de 20% de potencial de queda para as ações.

Na avaliação do banco, o desempenho recente do setor foi impulsionado principalmente pela migração global para ações de seguradoras, favorecida pela perspectiva de juros elevados por mais tempo, e pela busca doméstica por setores defensivos diante do aumento da incerteza política.

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Limitações dos juros altos e riscos específicos

Apesar desse cenário, os analistas afirmam que os benefícios de juros mais altos para os lucros das seguradoras são limitados atualmente. Segundo as estimativas do banco, cada aumento de 1 ponto percentual na Selic eleva o lucro por ação da Caixa Seguridade e da BB Seguridade em apenas 1% a 2%, insuficiente para justificar os múltiplos atuais.

O JPMorgan também alertou para o risco de desaceleração do crescimento da carteira de crédito da Caixa, especialmente no segmento imobiliário, em 2027, além de um ritmo mais moderado na originação de crédito do Banco do Brasil para o agronegócio.

Porto Seguro e IRB como preferidas do JPMorgan

O JPMorgan mantém Porto Seguro (PSSA3) e IRB Brasil Re (IRBR3) como suas principais apostas entre as seguradoras brasileiras, ambas com recomendação overweight (compra). O banco manteve o preço-alvo de R$ 63 para Porto Seguro e elevou o da IRB para R$ 68, ambos com horizonte para dezembro de 2027.

O JPMorgan considera a Porto Seguro a melhor seguradora de automóveis do Brasil, segmento no qual a companhia é líder. Segundo o banco, a empresa registrou forte crescimento dos prêmios emitidos, impulsionado pela alta dos preços dos veículos, enquanto o reajuste de preços no setor levou o índice de sinistralidade aos menores níveis históricos.

O banco destaca ainda que a Porto Seguro reorganizou sua estrutura em unidades de negócios (verticais), o que deve melhorar o alinhamento dos incentivos da administração e aumentar a responsabilidade pelo crescimento e pela rentabilidade. Além disso, os negócios de saúde e banco vêm crescendo rapidamente e contribuindo positivamente para o retorno sobre o patrimônio (ROE).

Recuperação do IRB Brasil Re

No caso do IRB Brasil Re, o JPMorgan avalia que a companhia está em um processo de recuperação após a crise enfrentada a partir de 2019, quando mudanças na gestão e questionamentos sobre provisões afetaram a confiança dos investidores e pressionaram as ações.

Para o banco, a retomada da rentabilidade é um dos principais pontos positivos. O JPMorgan destaca que o retorno sobre o patrimônio líquido tangível voltou para níveis próximos de 20% a 25%, sinalizando uma melhora operacional da companhia.

A instituição também vê potencial de valorização com a recuperação do crescimento dos prêmios e a retomada do pagamento de dividendos. Como maior resseguradora do Brasil, com cerca de 15% de participação de mercado, a IRB mantém uma posição relevante no setor.

Goldman Sachs mantém visão neutra para BB Seguridade, Caixa Seguridade e IRB; prefere Porto

O Goldman Sachs mantém uma postura mais cautelosa com o setor de seguros brasileiro, com recomendação Neutra para BB Seguridade (BBSE3), Caixa Seguridade (CXSE3) e IRB Brasil Re (IRBR3). A exceção é a Porto Seguro (PSSA3), que segue com recomendação de Compra, sendo a principal preferência do banco entre as seguradoras analisadas.

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Para a BB Seguridade (BBSE3), o Goldman Sachs manteve recomendação Neutra e preço-alvo de R$ 39 em 12 meses. A ação negocia a 9,6 vezes o lucro estimado para 2026, enquanto o preço-alvo do banco considera um múltiplo de 8,8 vezes. Entre os riscos para a tese estão uma possível desaceleração do seguro rural, queda dos juros, menor crescimento do crédito do Banco do Brasil, aumento da sinistralidade e uma renovação do contrato de corretagem em condições menos favoráveis.

No caso da Caixa Seguridade (CXSE3), o banco também manteve recomendação Neutra, com preço-alvo de R$ 18,20 por ação em 12 meses. A companhia negocia a 14,2 vezes o lucro esperado para 2026, enquanto o valuation implícito no preço-alvo aponta para um múltiplo de 11,5 vezes. Entre os principais riscos estão uma maior influência do governo sobre a estratégia da Caixa Econômica Federal, piora nas condições do financiamento imobiliário, aumento dos índices de sinistralidade e uma eventual redução dos múltiplos de mercado.

Para a IRB Brasil Re (IRBR3), o Goldman Sachs manteve recomendação Neutra, mas reduziu o preço-alvo de R$ 56 para R$ 54 em 12 meses. A ação negocia a 8,3 vezes o lucro estimado para 2026, mesmo múltiplo considerado no preço-alvo. O banco cita como riscos negativos um crescimento de prêmios abaixo do esperado, maior volume de sinistros, resultados financeiros mais fracos, aumento das despesas com comissões e menor aproveitamento de créditos tributários.

Já a Porto Seguro (PSSA3) é a única seguradora com recomendação de Compra pelo Goldman Sachs. O banco manteve preço-alvo de R$ 60 em 12 meses. A ação negocia a 8,6 vezes o lucro estimado para 2026, enquanto o preço-alvo implica um múltiplo de 10,2 vezes, indicando potencial de valorização segundo a avaliação da instituição.