Ibovespa sobe 1% com IPCA-15 surpreendente; mercado vê alívio cauteloso
Ibovespa sobe 1% com IPCA-15 surpresa; mercado cauteloso

O Ibovespa registrou alta de 1% nesta quarta-feira, impulsionado pela divulgação do IPCA-15, que surpreendeu o mercado ao ficar abaixo das expectativas. A prévia da inflação, que serve como termômetro para o índice oficial, encostou no teto da meta do Banco Central, mas trouxe alívio aos investidores. Segundo analistas, o resultado abre espaço para um novo corte na taxa Selic.

Impacto no mercado de juros

Os juros futuros recuaram em toda a extensão da curva, refletindo a percepção de que a inflação está mais controlada. O IPCA-15 veio abaixo do piso esperado, o que indica que a pressão inflacionária pode estar diminuindo. Isso levou a uma queda nas taxas de curto e longo prazo, beneficiando ativos de renda fixa e ações sensíveis a juros.

“O mercado vê alívio, não vitória”, destacou um analista de renda fixa, ponderando que ainda há riscos no horizonte. A inflação, embora abaixo do esperado, permanece perto do teto da meta, o que exige cautela do Banco Central. A expectativa agora é que o Copom possa reduzir a Selic em até 0,5 ponto percentual na próxima reunião.

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Reação do Ibovespa

A alta do Ibovespa foi liderada por ações de empresas domésticas, como varejistas e construtoras, que se beneficiam de juros mais baixos. O índice conseguiu superar os 177 mil pontos, embora tenha enfrentado resistência ao longo do dia. O volume financeiro foi elevado, com investidores ajustando posições diante do novo cenário de inflação.

Entre os destaques, as ações de bancos também subiram, impulsionadas pela perspectiva de queda nos juros. O setor imobiliário, que havia sofrido com as altas recentes, também registrou ganhos expressivos. Apesar do otimismo momentâneo, analistas alertam que a trajetória da inflação ainda é incerta, especialmente com os núcleos de serviços pressionados.

Perspectivas para a política monetária

O IPCA-15 abaixo do piso reforça a tese de que o ciclo de aperto monetário pode estar próximo do fim. No entanto, o Banco Central mantém tom cauteloso, aguardando mais dados para confirmar a tendência de desinflação. O mercado precifica agora uma probabilidade maior de corte na Selic já em agosto, mas a decisão dependerá do comportamento das expectativas e das projeções de curto prazo.

“A surpresa do IPCA-15 é positiva, mas não garante que a inflação convergirá para a meta no prazo adequado”, ponderou um economista. O foco agora se volta para o IPCA cheio de junho e para as projeções do relatório Focus, que podem sinalizar o rumo dos juros nos próximos meses.

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