IA em escritórios de investimento não melhora percepção de atendimento, aponta pesquisa
IA não melhora percepção de atendimento em investimentos

Adoção de IA não reflete em melhora na satisfação

Uma pesquisa conduzida pela consultoria Accenture com mais de 200 escritórios de investimento nos Estados Unidos e na Europa revelou que, apesar do avanço da inteligência artificial (IA) no setor, a percepção dos clientes sobre a qualidade do atendimento não apresentou melhora significativa. O estudo, divulgado nesta segunda-feira, mostra que 60% das empresas já implementaram alguma forma de IA em seus processos, mas apenas 30% relataram aumento nos índices de satisfação dos clientes.

Segundo João Silva, sócio da Accenture e líder da prática de wealth management, “a tecnologia por si só não garante melhor atendimento. É preciso integrar a IA de forma humanizada e treinar os profissionais para utilizá-la como ferramenta de suporte, não como substituta.” A pesquisa entrevistou 1.500 investidores de alto patrimônio, dos quais 45% afirmaram que a automação dos serviços não alterou sua percepção sobre o suporte recebido.

Descompasso entre inovação e experiência do cliente

O levantamento aponta que as principais aplicações de IA nos escritórios incluem chatbots para dúvidas iniciais, algoritmos de recomendação de investimentos e análise preditiva de mercado. No entanto, a maioria dos clientes ainda valoriza o contato humano para decisões complexas. “Os robôs são eficientes para tarefas rotineiras, mas quando o assunto é planejamento financeiro de longo prazo, a confiança no advisor humano é insubstituível”, destaca Silva.

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Os dados mostram que 70% dos entrevistados consideram essencial a interação pessoal em momentos de volatilidade do mercado. “A IA pode processar informações rapidamente, mas não consegue transmitir empatia”, completa o executivo. A pesquisa também revela que escritórios que treinaram suas equipes para usar IA como apoio tiveram um aumento de 15% na retenção de clientes, enquanto aqueles que automatizaram sem capacitação viram uma queda de 10% na satisfação.

Impacto nos negócios e recomendações

Para os especialistas, o resultado do estudo não deve desestimular a adoção da IA, mas sim orientar uma implementação mais estratégica. “As empresas precisam equilibrar automação com atendimento personalizado. A tecnologia deve ampliar, não substituir, a capacidade do assessor”, afirma Silva. A Accenture recomenda que os escritórios invistam em treinamento contínuo e em métricas que avaliem a experiência do cliente em vez de apenas a eficiência operacional.

O setor de investimentos movimenta globalmente mais de US$ 100 trilhões em ativos sob gestão, e a pressão por redução de custos tem impulsionado a digitalização. No entanto, o estudo sugere que a corrida tecnológica sem foco no cliente pode gerar resultados contrários. “A IA é uma aliada poderosa, mas a percepção de atendimento ainda depende do toque humano”, conclui o sócio da Accenture.

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