FIDCs se aproximam de R$ 1 trilhão e gestores veem espaço para expansão
FIDCs se aproximam de R$ 1 tri e gestores veem espaço

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) estão prestes a alcançar a marca de R$ 1 trilhão em patrimônio líquido, um recorde para a indústria. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o montante chegou a R$ 987 bilhões em maio de 2025, impulsionado pela busca de rendimento em um cenário de juros elevados.

Por que os gestores veem espaço para crescer?

Apesar do marco expressivo, profissionais do setor acreditam que há muito potencial inexplorado. "Os FIDCs ainda representam uma fração do mercado de crédito total no Brasil. Com a securitização de novos ativos, como recebíveis imobiliários e de cartão de crédito, podemos dobrar de tamanho nos próximos anos", afirma Carlos Alberto, gestor do fundo XP Crédito.

Atualmente, os FIDCs concentram-se em créditos corporativos de médias e grandes empresas. No entanto, a digitalização e o open finance devem permitir a inclusão de pequenas empresas e pessoas físicas, ampliando a base de ativos elegíveis.

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Impacto no mercado de crédito

O crescimento dos FIDCs tem efeitos diretos na economia. Eles oferecem uma alternativa de financiamento para empresas que não têm acesso ao mercado de capitais tradicional. "Com os FIDCs, conseguimos pulverizar o risco e oferecer taxas mais competitivas do que os bancos", destaca o gestor.

Além disso, a expansão dos FIDCs pressiona os spreads bancários. Instituições como Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil têm ampliado suas plataformas de distribuição desses fundos, buscando capturar parte desse crescimento. No segundo trimestre de 2026, a expectativa é de que as receitas com FIDCs cresçam 15% no comparativo anual, segundo estimativas de analistas.

Desafios regulatórios e riscos

Apesar do otimismo, o setor enfrenta obstáculos. A regulação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda impõe limites à alavancagem e à concentração de ativos. "Precisamos de uma modernização das regras para permitir maior diversificação e eficiência", diz Carlos Alberto.

Outro ponto é o risco de inadimplência. Em um cenário de inflação alta e juros elevados, a qualidade do crédito pode se deteriorar. Contudo, os gestores argumentam que a diversificação e as estruturas de subordinação mitigam esse risco.

Perspectivas para o investidor

Para o investidor pessoa física, os FIDCs oferecem rentabilidade atrativa, com isenção de Imposto de Renda para fundos de crédito privado. Mas é essencial avaliar a qualidade da carteira e a reputação do gestor. "Quem busca rendimento extra, mas com risco controlado, pode encontrar nos FIDCs uma boa opção", conclui o especialista.

Com o mercado projetando nova queda da Selic a partir de 2027, os FIDCs tendem a se beneficiar da redução do custo de captação, ampliando ainda mais seu espaço no mercado financeiro brasileiro.

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