FIDCs perto de R$ 1 trilhão e ainda só no começo, dizem gestores na Expert XP
FIDCs perto de R$ 1 tri e ainda só no começo, dizem gestores

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) já somam perto de R$ 1 trilhão em patrimônio e dobraram de tamanho nos últimos anos, mas o mercado ainda está longe da maturidade. A avaliação é de Bruno Spilberg, gestor de crédito da SPX Capital, que participou de debate na Expert XP 2026. "Os próprios bancos entenderam que o FIDC é um instrumento interessante para alocação de capital, as empresas estão entendendo que o fundo pode ser melhor que o crédito do banco e o investidor está vendo uma opção que permite planejamento tributário e diversificação, com relação de risco retorno muito interessante", afirmou Spilberg.

Desbancarização e papel do Banco Central

Delano Macedo, sócio-fundador e diretor de crédito da Solis Investimentos, destacou que o próprio Banco Central tem estimulado a redução da concentração do crédito nos bancos, hoje centrada em cinco grandes instituições. "A decisão da Comissão de Valores Mobiliários de liberar os FIDCs para o investidor de varejo é um sinal de maturidade do mercado, e vemos o número de investidores triplicar de 2005 para cá", afirmou no mesmo debate. "E essa estratégia vai continuar crescendo, pois mesmo em uma economia em dificuldades os FIDCs podem encontrar setores mais resilientes para investir", acrescentou Macedo.

Otimismo com o mercado de crédito privado

Gustavo Cortes, sócio gestor de private credit da Vinci Partners, disse que o crescimento dos FIDCs está ligado à desbancarização, tendência inevitável no Brasil como já ocorreu em outros países, como os Estados Unidos. "E esses fundos também estão trazendo novas tecnologias para levar o crédito para a ponta, para setores diversos, por isso estamos superotimistas com o mercado", afirmou. "Vamos ver cada vez mais o mercado de crédito privado florescer", completou.

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Bancos como parceiros e nichos de mercado

Segundo Delano Macedo, os bancos têm procurado as gestoras de FIDCs para oferecer operações em que não querem atuar diretamente, como empréstimos para pequenas e médias empresas, crédito consignado privado para pessoas físicas ou segmentos onde a escala não compensa. "E os FIDCs têm a vantagem de poderem ser customizados para esses tipos de ativos", explicou. "É como um canivete suíço, que atende a cada ativo, e isso aumenta a procura por nichos de mercado, que são menores, mas não necessariamente mais risco". Isso aproxima os FIDCs da economia real e oferece mais opções ao investidor. "E os próprios bancos estão cedendo não só ativos, como investidores também, e entrando como investidores juntos, em cotas subordinadas, investindo também recursos de suas próprias tesourarias", completou.

Crises e resiliência dos FIDCs

Gustavo Cortes lembrou que o cenário econômico é desafiador, mas os FIDCs já passaram por várias crises desde os anos 2000. "Ele traz o componente da segregação das tranches, que renova as carteiras com riscos diferentes, e as cotas subordinadas, que amortecem a inadimplência da carteira". Ele recomenda que o investidor avalie o histórico do gestor e como o setor de atuação do FIDC se comportou ao longo de crises. "Temos segmentos mais sensíveis e outros menos, como o consignado público, mas é preciso reconhecer que não é um investimento fácil, apesar de apresentar uma oportunidade em termos de risco e retorno mesmo em cenário adverso".

Cuidados e governança

Bruno Spilberg disse que "preocupa quando 11 em cada 10 pessoas" falam de FIDCs e todos se perguntam se cresceram demais e se o investidor está entrando "no fim da festa, para apagar a luz". Para ele, o segmento já passou por outras crises e se saiu bem pela própria estrutura das securitizações. "Não é que não teve problema, mas teve o problema e a estrutura conseguiu suportar", defendeu. Já Delano Macedo observou que os FIDCs viraram "popstars" por sua menor volatilidade e retorno robusto mesmo em momentos de crise. Ele destacou que o crescimento exige disciplina, respeito aos valores e regras rígidas para concessão de crédito. "Se você compra laranja, o originador tem de entregar laranja, não pode mudar o perfil do recebível porque está difícil de achar", disse. Além disso, o prazo dos recebíveis deve ser compatível com o dos investidores. "Não dá para ter fundo com resgate em 30 dias e recebíveis de um ano", acrescentou.

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