A proposta de reforma tributária que institui um novo imposto sobre dividendos pode inverter a lógica tradicional de investimento. Atualmente, dividendos são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, mas a nova regra pode tributar esses rendimentos em até 15%. Com isso, carteiras historicamente isentas, como as focadas em ações que pagam bons dividendos, podem render menos que alternativas tributadas, como fundos imobiliários ou títulos de renda fixa.
Impacto na estratégia dos investidores
Segundo especialistas, a mudança reduz o atrativo de ações de alta rentabilidade por dividendos. “O investidor precisará recalcular o retorno líquido, considerando a nova alíquota”, afirma economista da XP. Dados preliminares indicam que uma carteira com dividend yield de 6% ao ano teria retorno líquido de 5,1% após o imposto, contra 5,5% de um CDB tributado pelo regime regressivo.
Setores mais afetados
Elétricas, bancos e empresas de infraestrutura, conhecidas por distribuir lucros generosos, podem sofrer maior desvalorização. A análise da equipe de renda variável do Morgan Stanley alerta que o “limbo” regulatório ainda não acabou, e que as ações brasileiras podem ter alívio temporário, mas a incerteza fiscal persiste.
O que fazer?
Alternativas como fundos de investimento imobiliário (FIIs), que mantêm isenção em alguns casos, ou estratégias de buyback podem ganhar espaço. “O momento é de diversificação e revisão da alocação”, conclui o relatório.



