Autonomia financeira feminina: 'Dinheiro é autocuidado', diz Daniella Marques
Autonomia financeira feminina: 'Dinheiro é autocuidado'

Em um novo episódio do videocast Da Conta Delas, do E-Investidor, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques e a analista de Research da Ágora Investimentos Flávia Meirelles discutiram os motivos que levam muitas mulheres a delegar decisões sobre patrimônio e como construir confiança para investir. Para as especialistas, a barreira não está no conhecimento técnico, mas na falta de confiança para assumir o protagonismo da própria vida financeira.

Por que mulheres ainda deixam decisões financeiras para terceiros?

Segundo Flávia Meirelles, as mulheres demonstram capacidade para administrar o dinheiro no dia a dia, organizando o orçamento doméstico, planejando despesas e conciliando diferentes prioridades financeiras. No entanto, quando o assunto passa a ser investimentos e construção de patrimônio, muitas ainda deixam as decisões nas mãos de terceiros. “A mulher é treinada para não falar de dinheiro. Desde pequena, aprende que esse assunto pertence ao pai, ao marido ou ao assessor. Precisamos mudar essa lógica, porque dinheiro também é uma forma de autocuidado”, afirmou Daniella Marques.

Na avaliação de Marques, esse comportamento é resultado de fatores históricos e culturais. Durante sua trajetória na Caixa, ela percebeu que mulheres de diferentes perfis compartilhavam dúvidas semelhantes sobre dinheiro e investimentos, independentemente da renda ou escolaridade. “O mercado fala em CDI, benchmark e outros termos técnicos. A mulher pensa na casa própria, na educação dos filhos, na aposentadoria ou em abrir um negócio. É preciso conectar o dinheiro aos objetivos de vida”, disse.

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Comunicação do mercado financeiro: uma barreira desnecessária

Flávia Meirelles concorda que o mercado financeiro precisa rever sua forma de comunicação. Para ela, o excesso de jargões técnicos cria uma barreira desnecessária para quem está começando a investir. “A decisão de investir deve partir de perguntas simples: qual é o objetivo financeiro, quando aquele recurso será utilizado e qual é o nível de risco adequado para cada pessoa. Com essas respostas, a escolha dos investimentos se torna mais natural”, explicou.

A analista compara o início da jornada de investimentos ao aprendizado de dirigir. Ninguém começa completamente seguro, e a confiança é construída com a prática. “O primeiro passo faz diferença”, reforça.

Como dar o primeiro passo nos investimentos?

Ao final da conversa, as duas entrevistadas enfatizaram que não é preciso esperar o momento ideal nem dominar todos os conceitos do mercado para começar a investir. Daniella Marques recomenda começar pela organização das finanças pessoais: entender quanto entra, quanto sai e quais objetivos se pretende alcançar. Flávia Meirelles destaca que a experiência faz parte do aprendizado e que a confiança cresce à medida que as decisões financeiras passam a fazer parte da rotina.

Marques também comentou sobre o movimento Brasil por Elas, lançado recentemente em parceria com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo ela, a iniciativa busca ampliar a participação feminina em espaços de liderança e promover debates sobre autonomia econômica e cidadania.

Autonomia financeira: um caminho de confiança e protagonismo

Ao longo do episódio, as entrevistadas convergiram em uma mesma ideia: a autonomia financeira não começa na escolha de um investimento, mas na confiança para participar das decisões sobre o próprio dinheiro. Para elas, aproximar mais mulheres do mercado financeiro passa por simplificar a linguagem, ampliar o acesso à educação financeira e estimular que elas assumam o protagonismo na construção do próprio patrimônio.

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