Gestor da Armor Capital mantém 60% do risco no exterior por receio fiscal
Armor Capital: 60% do risco no exterior por contas públicas

Alfredo Menezes, presidente e diretor de investimentos da Armor Capital, revelou que mantém 60% do risco de seu fundo alocado fora do país. A decisão, segundo ele, decorre da avaliação de que o quadro das contas públicas brasileiras só tende a piorar nos próximos anos. "É melhor eu não estar no Brasil", afirmou durante participação no programa Stock Pickers, conduzido por Lucas Collazo.

Cálculo da dívida pública e superávit primário

O raciocínio de Menezes parte de uma conta simples: a dívida pública equivale a cerca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) e os juros reais rodam perto de 8% ao ano. Para estabilizar esse endividamento, seria necessário somar algo próximo de 6,4% do PIB entre o superávit primário — a economia que o governo faz antes de pagar os juros — e o crescimento da economia. O problema, para o gestor, está justamente nesse ponto: fechar um superávit primário de 1% do PIB já é tarefa difícil, e o país, segundo ele, "não tem estrutura para crescer durante 10 anos".

Cenário de dominância fiscal e reforma da Previdência

Ainda assim, Menezes não acredita que o cenário se arraste por uma década. "Daqui a uns dois, três anos, a gente vai ter um clima de dominância fiscal. Vamos ter que fazer a lição de casa", frisou. Entre as medidas necessárias, ele aponta uma nova reforma da Previdência, destacando que o maior risco às contas públicas vem da mudança no perfil da população.

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Envelhecimento populacional e impacto na Previdência

Com mais idosos e menos nascimentos, haverá "cada vez menos jovens sustentando os velhos que foram aposentados", afirmou. Por isso, Menezes prevê um problema fiscal "muito sério" à frente, sobretudo na Previdência. O envelhecimento da população, acrescenta, deve piorar ainda mais o quadro fiscal, tornando urgente uma nova reforma previdenciária.

Desemprego baixo e distorções do Bolsa Família

Menezes também desconfia do baixo desemprego divulgado pelas pesquisas. Segundo ele, o número não retrata a realidade, porque a pesquisa mede quem procura trabalho, e não quem de fato está empregado. Ele associa parte dessa distorção ao aumento do Bolsa Família para R$ 600 no governo Bolsonaro, que, em sua opinião, desestimulou a procura por vagas. O resultado, na leitura do gestor, é um potencial de crescimento menor do que no passado. "Eu, infelizmente, não consigo ficar muito otimista para o Brasil a médio prazo", resumiu.

Alocação de risco no exterior e aposta nos Estados Unidos

Menezes faz questão de explicar o que significam os 60% lá fora. "Não é 60% do patrimônio do fundo", ressaltou. O percentual se refere ao risco alocado, ou seja, à parcela das apostas que pode gerar ganho ou perda, e não ao total de recursos sob gestão. A maior aposta externa está na bolsa americana. Ele avalia que o índice S&P 500 deve ter desempenho melhor daqui para frente, sustentado não só pela inteligência artificial, mas pela economia dos Estados Unidos como um todo. Um eventual fim do conflito internacional, diz, daria novo impulso ao mercado de lá.

Estratégias de investimento: bancos e crédito seletivo

O gestor também opera bancos, dentro e fora do Brasil, comprando as ações que considera mais promissoras e vendendo as mais frágeis ao mesmo tempo. No crédito, porém, é seletivo: a Armor empresta apenas para instituições financeiras, e não para empresas. No Brasil, o risco está baixo. Menezes conta que tem preferido operar no mesmo dia a carregar posições grandes de um dia para o outro, e que hoje está bastante líquido. Sua maior posição de risco por aqui é um único título público, a NTN-B 2035, que paga a inflação mais juros.

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