5 erros que aumentam o risco da carteira no período eleitoral
5 erros que aumentam o risco da carteira na eleição

Proteger o patrimônio da volatilidade eleitoral pode gerar o efeito oposto se o investidor não tomar cuidado. Quando convicção política, medo de curto prazo e concentração guiam as decisões, o risco de desmontar posições sólidas aumenta. Sidney Lima, analista de investimentos CNPI da Ouro Preto Investimentos, concedeu entrevista ao InfoMoney na Expert XP 2026 e apontou cinco erros que podem elevar o risco da carteira no período eleitoral.

Ideologia invade a carteira

O primeiro erro é levar a ideologia política pessoal para a alocação de recursos. Segundo Lima, “um dos grandes problemas que a gente vê — nós que estamos trabalhando com a parte de investimentos — é que muita gente, principalmente a pessoa física, acaba levando a ideologia política pessoal para a sua carteira de investimentos”.

História pessoal e familiar explica convicções, mas não deveria definir como o patrimônio será tratado. Para Lima, proteger a carteira exige separar valores individuais da leitura objetiva do cenário. “É muito importante que o investidor consiga separar a ideologia pessoal — do que você acredita, muitas vezes seus princípios e valores — de como você deve tratar o seu dinheiro”, explica.

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Uma carteira montada para confirmar preferências pode andar na direção oposta àquela precificada pelos analistas. O prejuízo surge quando o investidor insiste na convicção mesmo diante de sinais contrários. “O mercado vai para um lado e por conta da ideologia política, a pessoa leva os investimentos para o outro lado”, alerta.

Eleição vira único risco

O segundo erro é reduzir toda a economia ao resultado das urnas. Embora a sucessão presidencial influencie os ativos, ela não determina sozinha seu desempenho. “A eleição pode acabar impactando a performance dos investimentos, mas a economia vai muito além das eleições, porque a economia brasileira também acaba refletindo os juros americanos, a inflação americana, a dinâmica internacional”, salienta.

Além da política doméstica, conflitos capazes de pressionar as commodities podem alterar inflação, juros e preços dos ativos. Por isso, uma proteção construída apenas para um desfecho eleitoral deixa outras fontes de risco descobertas. “Recentemente, nós tivemos essa guerra ali no Oriente Médio, que acaba impactando o preço do petróleo, que impacta a inflação, que impacta a taxa de juros”, observa.

Portanto, o erro de visão estreita pode levar o investidor a criar uma defesa eficiente contra um cenário político e ineficaz diante de eventos externos. A leitura precisa combinar eleição, inflação, juros e ambiente internacional. “Precisamos sempre olhar que não é só a eleição. Nós temos outros fatores que vão acabar impactando também”, enfatiza.

Carteira modificada por ruído

O terceiro erro surge na ruptura entre plano traçado e execução. “Muitas pessoas acabam definindo uma tese, uma estratégia para os seus investimentos de longo prazo, mas com a chegada daquele cenário pré-eleitoral elas mudam toda a sua carteira por conta da questão de eleição”, relata.

Entretanto, empresas atravessam governos e ciclos econômicos, enquanto o noticiário político costuma concentrar impactos no curto prazo. Assim, uma estratégia ancorada em bons ativos não deveria ser abandonada sem que os fundamentos também tenham mudado. “A economia é mais estrutural, enquanto a eleição ela vai trazer um ruído ali”, sustenta.

Nesse caso, o histórico ajuda a distinguir uma deterioração de uma reação momentânea. Antes de vender, o investidor deve verificar como o ativo atravessou diferentes governos e se a capacidade de gerar resultados permanece. “A dinâmica política pode acabar afetando, mas vai afetar no curto prazo. Então não faz sentido você mudar toda a sua carteira por conta de um contexto eleitoral”, defende.

Risco concentrado em um único setor

O quarto erro aparece quando todo o patrimônio fica sujeito ao mesmo país, segmento de produto ou de setor. Nesse contexto, um choque local pode atingir várias posições ao mesmo tempo e reduzir a eficácia da proteção eleitoral. “Outro grande problema é (o investidor ter) a concentração do patrimônio em ativos puramente domésticos”, aponta.

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Além disso, distribuir o seu investimento entre empresas do mesmo segmento não elimina necessariamente a concentração. Se todas respondem aos mesmos juros, consumo e atividade, a carteira mantém riscos semelhantes. “O grande princípio do mercado para uma sustentabilidade do seu dinheiro é a diversificação”, destaca.

Dessa forma, a combinação de mercados, classes de ativos e setores precisa respeitar a tolerância às oscilações e os objetivos do investidor. Diversificar não significa apenas acumular posições, mas buscar exposições que reajam de maneiras diferentes a eventos e cenários. “Existe um ditado que fala ‘nunca coloque todos os ovos numa mesma cesta’, porque se (este setor) cair você tende a ter um prejuízo grande”, adverte.

Volatilidade vira prejuízo

Por fim, o quinto erro ocorre quando uma queda temporária é tratada como destruição definitiva de valor. A confusão pode levar à venda no pior momento, mesmo que a empresa mantenha sua capacidade de produzir resultados. Assim, a decisão não deveria nascer apenas da intensidade da oscilação, mas da resposta a uma pergunta: o evento político alterou de fato os resultados esperados para o negócio? “Quando você vê uma volatilidade, talvez por conta de um contexto eleitoral, olhe se aquilo, de fato, mudou a expectativa de performance, do resultado futuro da empresa”, recomenda.

Consequentemente, a turbulência usada como justificativa para sair pode abrir preços mais atraentes em ativos cujos fundamentos permanecem preservados. A proteção eficaz exige olhar além do movimento imediato. “Muitas vezes, a volatilidade pode te trazer até oportunidade, mas sempre olhe o histórico, não olhe só o cenário eleitoral. Há muitas oportunidades que, inclusive, podem surgir justamente no período eleitoral”, conclui.