Estudo revela raridade: apenas quatro ações batem o CDI por cinco anos seguidos
Superar o CDI já é um desafio para boa parte das ações da Bolsa brasileira em períodos de juros elevados. Fazer isso de forma consistente durante cinco anos consecutivos é ainda mais raro. Levantamento da Elos Ayta mostra que apenas quatro das 347 ações da B3 com histórico de negociação e liquidez suficientes para análise conseguiram superar o CDI em todas as janelas anuais de 12 meses encerradas em 27 de julho entre 2022 e 2026. As únicas empresas que atenderam a esse critério foram Sabesp (SBSP3), Copel (CPLE3), Cemig (CMIG4) e TIM (TIMS3).
Dificuldade em cenário de juros altos
O resultado evidencia o grau de dificuldade de obter retornos recorrentes acima do principal benchmark da renda fixa brasileira em um período marcado por taxas de juros elevadas e forte competição dos investimentos conservadores com a renda variável. No acumulado dos últimos cinco anos, a líder do ranking foi a Sabesp (SBSP3), com valorização de 375,06%. Na sequência aparecem Copel (CPLE3), com alta de 297,23%, Cemig (CMIG4), com avanço de 186,16%, e TIM (TIMS3), com ganho de 162,86%.
Ibovespa também fica para trás
O estudo também chama atenção para o desempenho do próprio Ibovespa. Nas cinco janelas anuais analisadas, o principal índice da Bolsa brasileira conseguiu superar o CDI em apenas duas ocasiões: nas janelas encerradas em 27 de julho de 2023 e de 2026. Nos outros três períodos, o retorno da Bolsa ficou abaixo da remuneração oferecida pela renda fixa. Segundo a Elos Ayta, os números reforçam um dos principais consensos do mercado financeiro: quanto mais elevados os juros, maior o desafio para a renda variável entregar retornos capazes de compensar o risco adicional assumido pelos investidores.
Perfil das vencedoras: utilities e telecomunicações
Das quatro ações que superaram o CDI em todas as janelas analisadas, duas pertencem ao setor elétrico — Copel (CPLE3) e Cemig (CMIG4). As demais são Sabesp (SBSP3), do setor de saneamento, e TIM (TIMS3), de telecomunicações. Em comum, os setores são tradicionalmente associados a receitas mais previsíveis, geração recorrente de caixa e modelos de negócios menos dependentes do ciclo econômico do que segmentos mais sensíveis ao consumo ou à atividade industrial.
Resiliência dos negócios como diferencial
A presença predominante de utilities e telecomunicações também sugere que a consistência dos retornos esteve mais relacionada à resiliência dos negócios do que a movimentos pontuais de mercado. Ao longo dos últimos anos, essas empresas combinaram fatores como melhoria operacional, disciplina financeira, distribuição de dividendos e maior previsibilidade de resultados, características valorizadas pelos investidores em ambientes de juros elevados.
Metodologia do levantamento
O levantamento da Elos Ayta considerou todas as ações listadas na B3 com histórico de negociação e liquidez suficientes para análise, totalizando 347 papéis. Para cada data-base — 27 de julho de 2022, 2023, 2024, 2025 e 2026 — foi calculada a rentabilidade acumulada nos 12 meses anteriores, considerando exclusivamente a variação do preço das ações. Em seguida, o desempenho de cada empresa foi comparado ao retorno acumulado do CDI na respectiva janela anual. Foram incluídas no ranking apenas as companhias que conseguiram superar o CDI em todas as cinco janelas anuais consecutivas, um critério que reduziu a lista para apenas quatro ações entre as centenas de empresas analisadas.



