A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu uma nota oficial nesta segunda-feira (28) negando que o vídeo exibido durante a convenção do Partido Liberal, no último sábado (26), tenha sido gerado por inteligência artificial. No vídeo, o ex-presidente Jair Bolsonaro aparece pedindo votos para o filho, Flávio, candidato à reeleição ao Senado. A suspeita de manipulação foi levantada por adversários políticos e pela campanha de oposição, que apontaram supostas inconsistências nas imagens.
Nota da defesa esclarece origem do material
Em comunicado, o advogado de Flávio Bolsonaro, Paulo Bueno, afirmou que o vídeo foi gravado em 15 de julho, durante um evento privado na residência do ex-presidente, em Brasília. "Não há qualquer uso de inteligência artificial. O vídeo é autêntico e foi produzido por uma equipe profissional de filmagem contratada pela campanha", disse Bueno. A nota ainda informa que o material foi editado apenas para ajustes de iluminação e som, procedimento padrão em produções audiovisuais.
A polêmica surgiu quando um perfil anônimo nas redes sociais comparou quadros do vídeo com fotos de Jair Bolsonaro em ângulos semelhantes, sugerindo que o rosto do ex-presidente poderia ter sido sobreposto por IA. Especialistas consultados pela reportagem, no entanto, divergem. O perito em imagens digitais Carlos Menezes, da Universidade de Brasília, afirmou que "não há evidências claras de deepfake, mas a qualidade da gravação dificulta uma análise conclusiva".
Impacto na corrida eleitoral
O episódio ocorre em um momento de acirramento da disputa pelo Senado no Rio de Janeiro. Flávio Bolsonaro busca a reeleição contra o candidato do PT, o ex-prefeito Eduardo Paes, que lidera as pesquisas de intenção de voto com 45%, contra 32% de Flávio, segundo levantamento do IPEC divulgado na semana passada. A oposição tentou usar o caso para questionar a lisura da campanha bolsonarista.
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou uma representação na Procuradoria-Geral Eleitoral pedindo a investigação do vídeo. "Se comprovado o uso de IA para simular um pedido de voto, isso configuraria propaganda enganosa e abuso de poder", declarou Correia. A defesa de Flávio, porém, rechaça as acusações e afirma que a representação é "infundada e eleitoreira".
Regras eleitorais e uso de IA
A legislação eleitoral brasileira ainda não possui regras específicas sobre o uso de inteligência artificial em campanhas, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já sinalizou que pretende regulamentar a matéria para as eleições de 2028. Em nota, o TSE informou que não há, até o momento, pedido formal de investigação sobre o caso, mas que monitora as denúncias. "Qualquer irregularidade será apurada nos ritos legais", declarou a assessoria.
Especialistas apontam que a falta de legislação específica cria um vácuo que pode ser explorado. "O uso de deepfakes em campanhas é uma preocupação global, e o Brasil precisa se antecipar", afirmou a advogada eleitoral Marina Silva (sem parentesco com a ministra). Para ela, a simples negação da defesa não é suficiente: "É necessário que o partido apresente os arquivos originais do vídeo para uma perícia independente".
Próximos passos
A campanha de Flávio Bolsonaro informou que disponibilizará o material completo para análise judicial se houver determinação da Justiça Eleitoral. Enquanto isso, o vídeo continua sendo usado em inserções na televisão e nas redes sociais. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que não se pronunciou diretamente sobre o caso, postou em seu perfil no X: "Não vamos aceitar mentiras da imprensa e da oposição. O vídeo é real e mostra meu apoio a Flávio".
O caso reacende o debate sobre a confiabilidade de provas digitais em campanhas eleitorais. Com a aproximação das eleições de outubro, a tendência é que novos episódios como este surjam, exigindo maior rigor na verificação de conteúdos audiovisuais.



