O recente avanço dos preços do petróleo no mercado internacional, alimentado pela escalada das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, reacendeu o alerta para a inflação no Brasil e levantou dúvidas sobre a continuidade do ciclo de queda da taxa básica de juros, a Selic. O movimento ocorre em meio a declarações do presidente americano Donald Trump, que sinalizou que o petróleo pode subir “um pouquinho” com as medidas contra o Irã, e que os EUA “provavelmente” voltarão a atacar o país ainda hoje.
Impacto nos mercados e na política monetária
As ações da Petrobras (PETR4) operam em alta nesta quarta-feira (08), acompanhando a valorização do barril de petróleo no exterior. Entre os destaques do pregão, os papéis da RECV3 (Recrusul) registram a maior alta do Ibovespa. O avanço das commodities energéticas pressiona as expectativas de inflação, uma vez que o petróleo é insumo essencial para diversos setores da economia, impactando diretamente os custos de transporte e produção.
Analistas do mercado financeiro avaliam que, se a alta do petróleo se mantiver, o Banco Central pode ser forçado a interromper ou até reverter o ciclo de cortes da Selic, atualmente em 13,75% ao ano. A instituição já havia sinalizado que a trajetória dos juros dependeria do comportamento da inflação e das expectativas de mercado. O economista-chefe de uma grande corretora, que preferiu não ser identificado, afirmou: “A alta do petróleo adiciona um componente de pressão inflacionária que o BC não pode ignorar. Se os preços continuarem subindo, a chance de um novo corte na Selic em agosto diminui significativamente.”
Tensões geopolíticas e projeções do FMI
O cenário internacional segue volátil. Trump voltou a atacar aliados na Otan por resistência sobre a Groenlândia e a guerra no Irã, enquanto a Rússia lançou o terceiro ataque aéreo contra Kiev em uma semana. Em meio a esse contexto, o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a projeção para o PIB do Brasil em 2026 e 2027, mas ainda prevê desaceleração. A instituição estima crescimento de 2,1% em 2026 e 1,8% em 2027, abaixo do ritmo observado em 2025.
No mercado doméstico, o Ibovespa busca um gatilho para romper o atual range de negociação. Enquanto isso, o minidólar (WDOQ26) apresenta suportes e resistências que os traders monitoram de perto. A sessão desta quarta-feira é marcada pela cautela, com investidores aguardando novos desdobramentos sobre a política externa americana e os impactos sobre os preços das commodities.
Setor aéreo e construtoras em destaque
No noticiário corporativo, as lucros das aéreas brasileiras somaram R$ 4,3 bilhões em 2025, segundo relatório da Anac. Já as ações da Tenda (TEND3) e Cury (CURY3) caíram forte após dados abaixo das expectativas do mercado. Por outro lado, a Natura (NATU3) subiu mais de 5% mesmo após divulgar prévia de lucro 10% menor no segundo trimestre, sinalizando que o mercado pode estar precificando uma recuperação futura.
No segmento de renda fixa, as taxas de CDBs, LCIs e LCAs oferecidas pela XP seguem atrativas, mas a tensão entre EUA e Irã pode elevar a aversão ao risco e impactar os prêmios. Fundos imobiliários de shoppings ganham espaço nas recomendações para o segundo semestre, enquanto ex-diretor do Banco Central aposta em continuidade dos cortes da Selic, contrariando o consenso de mercado.



