O aumento nos preços do petróleo, impulsionado por tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, reacendeu o alerta para a inflação no Brasil e pode travar o processo de queda dos juros. A commodity, que já acumula alta expressiva em 2026, pressiona custos de produção e combustíveis, gerando incertezas sobre a trajetória da Selic.
Contexto geopolítico e impacto imediato
O presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou que o petróleo pode subir “um pouquinho” com as medidas contra o Irã, após declarar que o país “provavelmente” voltará a atacar o Irã ainda hoje. As declarações elevaram a volatilidade nos mercados internacionais. A Petrobras (PETR4) acompanhou a alta do petróleo, enquanto a RECV3 registrou a maior alta da sessão.
Efeitos na inflação e nos juros brasileiros
A alta do petróleo pressiona a inflação brasileira, especialmente via combustíveis e transporte. Com isso, o Banco Central pode interromper o ciclo de cortes da Selic, que vinha sendo esperado por agentes financeiros. “O risco inflacionário volta ao centro das atenções, e a continuidade da queda dos juros fica ameaçada”, afirma analista de mercado.
Reações nos mercados e projeções
O Ibovespa opera volátil, com investidores buscando um gatilho para definir direção. Enquanto isso, o minidólar (WDOQ26) apresenta suportes e resistências importantes. O FMI elevou a projeção para o PIB do Brasil em 2026 e 2027, mas ainda prevê desaceleração, o que adiciona complexidade ao cenário.
Impacto setorial e oportunidades
Setores como aviação e construção sofrem com a alta dos custos. As aéreas brasileiras lucraram R$ 4,3 bilhões em 2025, segundo relatório da Anac, mas o cenário atual pode comprimir margens. Já ações como Tenda (TEND3) e Cury (CURY3) caíram forte após dados abaixo das expectativas. Por outro lado, a Natura (NATU3) subiu mais de 5% mesmo com prévia de lucro 10% menor no 2º trimestre.
Perspectivas para investidores
Com a tensão entre EUA e Irã, a renda fixa volta a atrair atenção. CDBs, LCIs e LCAs oferecem taxas atrativas, enquanto FIIs de shoppings ganham espaço nas recomendações. Ex-diretor do BC aposta em continuidade dos cortes da Selic, contrariando o consenso de mercado.



